Letícia Barros na Crusoé: Por que nenhum governo sobrevive mais à próxima eleição
As pessoas estão não apenas mais conscientizadas sobre política, como também mais vigilantes
Em 2024, o eleitor americano entregou a Donald Trump a Casa Branca, a Câmara e o Senado.
Dois anos depois, nas eleições de meio de mandato que ocorreram nesta semana, tomou de volta as duas casas do Congresso – e as entregou aos democratas.
Esse fenômeno de alternância de poder, apesar de parecer inusitado, tem se tornado frequente em todo o continente.
Estamos vivenciando ondas da esquerda e de direita simultaneamente. Nenhum governo pode contar com a próxima eleição.
Em contrapartida ao resultado das “midterms” americanas, as últimas eleições da América Latina expuseram uma onda da direita no continente.
No Chile, José Antonio Kast, do Partido Republicano, foi eleito em dezembro de 2025.
Em Honduras, Nasry Asfura, do Partido Nacional, de orientação conservadora, foi eleito em novembro de 2025.
Já na Colômbia, Abelardo de la Espriella, também de um partido de direita, foi eleito em junho deste ano.
Esses são alguns exemplos da chamada “onda conservadora” pela imprensa.
O fenômeno brasileiro é difícil de explicar. Elegemos maioria de direita no Congresso Nacional e mantivemos Lula na cadeira da Presidência da República.
Como um eleitorado elege maioria conservadora para o Legislativo e mantém um populista de esquerda no mais alto posto do Executivo?
A resposta não é simples, mas reforça um fenômeno profundamente curioso das democracias modernas…
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