Não basta ser ministro do STF, tem que participar
Revelação de novas mensagens entre Vorcaro e Moraes relembra que há um assunto por finalizar no STF, para o bem do tribunal e da República
Mais algumas das mensagens apagadas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro vieram a público na sexta-feira, 6, por meio de análise do aparelho feita pelo portal UOL.
O levantamento identificou que 316 mensagens foram trocadas entre Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes (foto) nos dois meses que antecederam aa primeira prisão do ex-banqueiro, no fim de 2025.
Além de indicar que os dois se encontraram ao menos uma vez, as mensagens sugerem intimidade entre Vorcaro e o marido de Viviane Barci de Moraes, que mantinha um contrato de 131 milhões de reais com o Banco Master, alegadamente para tratar do compliance da empresa.
Gelol
“Não basta ser pai, tem de participar rsrs”, diz o ministro do STF em 12 de novembro de 2025 a Vorcaro, que responde: “Você é paizão. Manda abraço pra todos”.
Moraes cita a frase de uma antiga propaganda do analgésico Gelol, que completava: “Não basta ser remédio, tem que ser Gelol”.
As novas mensagens não são tão problemáticas quanto as que já tinham vindo a público, nas quais Vorcaro aparece questionando o ministro do STF sobre o que fazer diante de investigações, como “Acha que segunda ja tenho que estar fora?” e “Nao conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?”, mas servem para relembrar que essa história não acabou.
O Brasil assistiu atônito, em 15 de setembro, à sessão em que Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin bloquearam a deliberação que deveria desembocar na abertura de uma investigação sobre as relações do ex-relator do inquérito das fake news com Vorcaro.
Pelo STF
Agora, após a reeleição de Lula, o ímpeto para o primeiro impeachment de um ministro do STF parece ter diminuído, com o fortalecimento de Davi Alcolumbre (União-AP) e a perspectiva de sua reeleição na Presidência do Senado. Mas, mesmo com a eleição de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o assunto entraria na dinâmica de troca de favores, como alertou O Antagonista.
Sem o Senado para cumprir seu papel, restaria aos próprios ministros do STF cuidar dos problemas da corte, que, no caso do Banco Master, dizem respeito também a Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques de forma mais destacada.
O caso do Master segue nas mãos do presidente do STF, Edson Fachin, que devolveu apenas o processo do escândalo do INSS para André Mendonça.
Passada a eleição, na qual boa parte deles fez um papelão, os ministros precisam dar uma satisfação à sociedade brasileira. Não basta ser ministro do STF, tem que participar.
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