Oito horas de jogo sujo no STF
Moraes, Gilmar, Dino e Zanin fizeram cera ao longo de toda a sessão convocada para deliberar sobre mensagens de Vorcaro para Moraes
O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) se transformou nesta terça-feira, 15, em uma partida de Copa Libertadores da América, daquela disputadas na década de 1980.
Os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin se comportaram como se estivessem jogando no Defensores del Chaco ou em La Bombonera contra um time muito melhor e passaram oito horas jogando sujo e fazendo cera.
Esses quatro ministros, que já vinham tumultuando o caso nos últimos dias das formas mais diversas formas, encheram a sessão de questionamentos acessórios preliminares e de acusações irresponsáveis, que não permitiram que sequer fosse iniciada a deliberação sobre o caso em si, o que era exatamente o objetivo deles.
Vulgaridade
Dino e Zanin ainda se preocupam em revestir de algum sentido processual seus questionamentos, ainda que sejam da mesma natureza protelatória de seus colegas.
Já Moraes e Gilmar partiram para os ataques abertos mais vulgares a André Mendonça, que reagiu em alguns momentos.
Dino chegou a responsabilizar o presidente do STF, Edson Fachin, pela confusão instalada no plenário, como se não tivessem sido ele e seus colegas que plantaram todo o caos da sessão.
O último ministro indicado por Lula para o STF se aproveitou da confusão causada por uma das várias ofensas proferidas por Gilmar a Mendonça para pedir vista da deliberação prévia, sobre a qual ele já tinha votado, sob o pretexto de manter a ordem.
A questão tratava de se o pedido de investigação de Moraes contra Mendonça, outra tentativa de tumultuar a questão, deveria ser votado junto com a deliberação sobre o relatório da Polícia Federal (PF) que indicou ligação entre Moraes e Vorcaro.
Desculpas?
O placar ficou em 4×3 por votar separado, sem contar o voto de Dino, que impediu o fim da deliberação sobre essa questão. O retorno das deliberações dependerá de Dino, portanto.
Kassio Nunes Marques simplesmente fugiu da questão, alegando que não poderia se envolver, por ser presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e Dias Toffoli poupou a todos do constrangimento de palpitar, porque já teve de abrir mão da relatoria do caso do Banco Master.
Coube à ministra Cármen Lúcia pedir desculpas ao Brasil pelo triste espetáculo protagonizado por colegas que claramente estão interessados em impedir qualquer investigação sobre Moraes.
Mas os ministros que restaram no STF vão ter de fazer muito mais do que pedir desculpas para dar alguma satisfação ao país, e contra uma turma que está disposta a furar a bola para não perder o jogo.
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