Drones vasculharam uma serra australiana e encontraram três abrigos com arte rupestre fora dos registros conhecidos
Tecnologia a laser confirmou seis sítios catalogados e identificou três abrigos com vestígios, em parceria com guardiões indígenas Dharug.
Drones equipados com LiDAR ajudaram a localizar três abrigos indígenas ainda não registrados nas Blue Mountains, na Austrália. O estudo, publicado em outubro de 2026, também confirmou a posição de seis abrigos já catalogados. A existência de vestígios culturais foi verificada posteriormente em campo, em uma pesquisa desenvolvida com a participação de guardiões Dharug.
Como os drones localizaram abrigos escondidos pela vegetação?
O LiDAR emite pulsos de laser e mede seu retorno para representar o relevo em três dimensões. Nas Blue Mountains, paredes de arenito, vales profundos e florestas dificultam percorrer todas as encostas a pé.
Com dados de drones e levantamentos aéreos anteriores, a equipe identificou reentrâncias nas rochas que poderiam servir de abrigo. O laser não detectou pinturas diretamente: ele indicou locais promissores para inspeção arqueológica. O método reuniu dados de quatro áreas cobertas por drones e de levantamentos aéreos públicos do governo de Nova Gales do Sul.

Quais vestígios apareceram nos três abrigos não registrados?
As verificações revelaram objetos de pedra nos três abrigos. Somente um deles teve arte rupestre descrita no levantamento, o que distingue os achados materiais das pinturas.
- BM139: três artefatos de pedra encontrados no piso.
- BM140: 21 artefatos líticos registrados na superfície.
- Pinturas em BM140: duas marcas vermelhas de mãos lado a lado.
- BM141: 26 objetos de pedra identificados durante a vistoria.
O que os números do levantamento realmente comprovam?
A pesquisa combinou interpretação digital e visitas direcionadas. Seus resultados diferenciam a recuperação de registros antigos, a identificação de sítios não cadastrados e a checagem de possíveis cavidades.
Como os arqueólogos confirmaram as descobertas em campo?
Após examinar os modelos digitais, equipes lideradas pela arqueóloga Amy Mosig Way caminharam até pontos selecionados para verificar o relevo e procurar objetos ou pinturas. O artigo publicado na revista Remote Sensing descreve essa etapa como indispensável para determinar o interesse arqueológico.

Os 19 locais visitados correspondiam a abrigos ou reentrâncias, mas isso não significa que todos guardavam arte. Como os candidatos foram escolhidos após triagem, o resultado tampouco mede a taxa geral de acerto do sistema. Além disso, estar fora do cadastro não significa ser desconhecido por todos: alguns abrigos já haviam sido avistados por caminhantes experientes.
Como os guardiões Dharug participaram e ajudaram a proteger os locais?
O projeto Gulamada reuniu a Universidade de Sydney, o Australian Museum e a Dharug Custodian Aboriginal Corporation. A colaboração envolveu escolhas de pesquisa, registro e respeito à proteção cultural.
- Planejamento: áreas prioritárias escolhidas em consulta à comunidade Dharug.
- Registro: Wayne Brennan e Erin Wilkins conduziram a documentação artística.
- Sigilo: coordenadas e imagens sensíveis foram omitidas por solicitação indígena.
- Preservação: dados ajudam a cuidar de locais culturalmente importantes.
O mapeamento amplia o patrimônio conhecido sem substituir os guardiões
A identificação dos três abrigos fora do cadastro e a revisão das coordenadas antigas mostram como o LiDAR pode tornar buscas mais direcionadas. Isso importa em uma região onde grande parte do território ainda não foi pesquisada arqueologicamente.
O Australian Museum destaca a utilidade dessa combinação para proteger patrimônios ameaçados. A tecnologia revela formas do terreno; reconhecer, interpretar e resguardar os vestígios exige presença em campo e participação das comunidades indígenas.
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