Um elefante-marinho nasceu numa praia brasileira e em duas semanas já começou a trocar a pelagem e pode ganhar até cinco quilos por dia
Filhote nascida na Praia do Cassino apresentou crescimento acelerado, iniciou a troca de pelos e passou a ser monitorada durante sua adaptação ao mar
Uma filhote de elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) nasceu em 7 de outubro de 2026, na Praia do Cassino, em Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Aos 15 dias, já apresentava mudanças na pelagem, passando do preto para tons acinzentados. O nascimento, considerado raro no litoral brasileiro, mobilizou pesquisadores e veterinários para acompanhar o desenvolvimento do animal sem interferir em seu comportamento natural.
Como aconteceu o nascimento do elefante-marinho na Praia do Cassino?
O parto ocorreu na região da Querência, em um trecho da praia frequentado por moradores e turistas. A presença da mãe e da filhote chamou atenção porque os elefantes-marinhos-do-sul normalmente se reproduzem em colônias da Patagônia argentina e de regiões subantárticas.
Equipes do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema) e do Centro de Recuperação de Animais Marinhos (Cram), ligado à Universidade Federal do Rio Grande (Furg), começaram a acompanhar os animais. O local recebeu barreiras de areia para restringir veículos e evitar aproximações durante a amamentação.
Por que o filhote de elefante-marinho começou a mudar de cor tão rapidamente?
Ao nascer, a filhote apresentava pelagem preta, característica dos primeiros dias de vida. Em 22 de outubro, com aproximadamente duas semanas, os pesquisadores já observavam a substituição gradual desses pelos por uma cobertura mais prateada e acinzentada.
O desenvolvimento envolve mudanças importantes para a sobrevivência:
- A pelagem escura começa a ser substituída;
- O leite materno proporciona crescimento acelerado;
- A gordura corporal funciona como reserva energética;
- A musculatura se prepara para os primeiros movimentos aquáticos;
- O desmame marca o início da independência alimentar.
Um vídeo publicado pelo jornal GZH em janeiro de 2024 mostra outro elefante-marinho descansando na Praia do Cassino. Embora seja anterior ao nascimento de 2026, permite observar a espécie e compreender sua permanência na areia.
Como um filhote de elefante-marinho consegue ganhar até cinco quilos por dia?
Durante a amamentação, a fêmea produz leite extremamente rico em gordura, permitindo que a cria acumule energia rapidamente. Esse crescimento é fundamental porque o filhote precisará enfrentar um período sem alimentação após a separação da mãe.
Enquanto a cria ganha massa corporal, a fêmea utiliza suas próprias reservas. Segundo Sérgio Curi, coordenador dos projetos Pinípedes do Sul e Tartarugas Marinhas, mães podem perder entre cinco e dez quilos diariamente. O ganho estimado de até cinco quilos por dia não corresponde necessariamente a pesagens realizadas individualmente nessa filhote.
Quem acompanha o desenvolvimento do elefante-marinho na Praia do Cassino?
O monitoramento envolve profissionais do Nema e veterinários do Cram-Furg, responsáveis por observar comportamento, condição física e possíveis alterações durante o desenvolvimento. Em outubro, as equipes realizavam acompanhamento diário, aproximadamente das 6h às 19h.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) orienta que elefantes-marinhos podem permanecer naturalmente em terra. Por isso, encontrar esses animais descansando na praia não significa que estejam encalhados ou necessitem ser devolvidos à água.

Quais números mostram o crescimento e a adaptação da filhote?
Em 28 de outubro, após aproximadamente 20 dias de amamentação, os pesquisadores informaram que a mãe havia encerrado os cuidados e retornado ao mar. A filhote iniciou então uma etapa de pequenas entradas na água, alternadas com períodos de descanso na areia.
Considerando o ganho estimado de cinco quilos diários, ela poderia ter acumulado aproximadamente 100 quilos durante a amamentação. Esse valor representa uma projeção, não uma medição direta de seu peso.
| Marco do desenvolvimento | Informação registrada |
|---|---|
| Nascimento | 7 de outubro de 2026 |
| Início observado da troca de pelos | Aos 15 dias |
| Ganho diário possível | Até 5 kg |
| Perda diária possível da mãe | 5 a 10 kg |
| Encerramento da amamentação | Cerca de 20 dias após o nascimento |
Por que manter distância do elefante-marinho é essencial durante seu desenvolvimento?
A presença de visitantes pode provocar estresse e interferir no descanso, na amamentação e nos primeiros movimentos aquáticos. Por isso, as equipes orientam evitar barulho, fotografias com flash, aproximação de cães e circulação de veículos perto da área isolada.
Após o desmame, a filhote poderá permanecer aproximadamente dez a 15 dias utilizando suas reservas de gordura enquanto desenvolve habilidades aquáticas. A ausência da mãe nessa fase não significa necessariamente abandono. Os pesquisadores continuarão avaliando sua condição física, intervindo apenas se surgirem sinais de dificuldade que comprometam sua sobrevivência.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)