O culpado pelos juros é Lula
Lulistas esperneiam mais uma vez contra o Banco Central, mas a solução para o problema dos juros está nas mãos do presidente há quatro anos
Os lulistas esbravejam mais uma vez contra o Banco Central (BC), mas é inevitável constatar que a decisão de manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano, interrompendo uma sequência de quedas, foi resultado direto da reeleição de Lula para um quarto mandato.
“As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus distanciaram-se adicionalmente em relação à meta desde a última reunião, situando-se em 5,2% e 4,8%, respectivamente”, informou o Comitê de Política Monetária (Copom), cuja missão é exatamente conter a inflação diante da irresponsabilidade petista.
Os petistas usaram Roberto Campos Neto como bode expiatório durante os dois primeiros anos do terceiro mandato de Lula, mas, sob Gabriel Galípolo, o BC manteve a mesma política contra a gastança lulista, até começar a derrubar os juros levemente neste ano, sob uma desconfiança do mercado que, agora, se dissipa um pouco com a interrupção da redução da Selic.
A resistência do presidente em fazer um ajuste fiscal que abra espaço para a redução dos juros e, consequentemente, da dívida pública, tem levado seus aliados e apoiadores a considerar medidas alternativas, como o tabelamento de juros aventado por André Lara Resende.
Os lulistas alegam que o discurso do ajuste perdeu nas urnas. Ainda que isso fosse verdade (o recado da eleição foi bem mais complexo que isso), há cada vez menos espaço nas contas públicas para debater com os números, que indicam que uma recessão se avizinha caso a rota não seja corrigida.
Popularidade
O drama para o presidente é que, mesmo esbanjando ao longo do terceiro mandato e multiplicando os gastos sem qualquer cálculo durante a campanha, sua popularidade segue baixa, com a desaprovação (45%) maior do que a aprovação (39%), como registra o Lulômetro.
Lula (ao centro na foto) concorreu à Presidência em 2022 para tentar limpar a biografia após ser preso, e governou ao sabor das pesquisas, tentando reproduzir seus dois mandatos anteriores. Apesar de conseguir a reeleição, a biografia não foi limpa (dificilmente será), e o petista partiu para um novo mandato numa última tentativa de sair por cima, como fez em 2010.
Hoje, mais do que nunca, Lula compete com o Brasil, mas com uma margem muito curta de manobra. A ironia é que, se ele fizer o que o país realmente precisa, provavelmente terminará o próximo mandato ainda mais impopular, mas talvez garanta seu nome na história como o reformista pelo qual o Brasil espera há décadas — com o detalhe de que não gozará dessa glória em vida.
Leia mais: Ministério da Fazenda de Lula é uma fria
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)