A cidade baiana que nasceu à beira de um rio e inspirou Jorge Amado
O rio e a produção de cacau marcaram os primeiros anos de crescimento da cidade
Antes de ser cenário de romance, o sul da Bahia foi terra de quem chegava a pé, com pouca coisa e muita disposição. Itabuna, às margens do Rio Cachoeira, cresceu exatamente assim: com famílias migrantes, casas de comércio improvisadas e o cacau que transformou um pequeno arraial em uma das cidades mais importantes da região.
Como um pouso de tropeiros virou cidade do cacau?
A história começa com migrantes vindos de Sergipe. A partir de 1867, nomes como Félix Severino do Amor Divino e José Firmino Alves abriram fazendas na região, entre elas a Fazenda Marimbeta, e passaram a ser lembrados como fundadores do povoado conhecido como Arraial de Tabocas, ponto de passagem de tropeiros.
O comércio veio junto com as roças. Pequenas casas de negócio surgiram no arraial para abastecer quem plantava e quem passava, e o cacau, que se espalhava pelas matas do sul baiano, deu fôlego à economia local. Em 28 de julho de 1910, a antiga Tabocas se separou de Ilhéus e foi elevada à condição de cidade com o nome de Itabuna.

Alguns marcos ajudam a entender essa trajetória entre a lavoura e o balcão:
Onde e quando nasceu Jorge Amado?
Jorge Amado nasceu em 10 de agosto de 1912, na Fazenda Auricídia, no povoado de Ferradas, que a Fundação Casa de Jorge Amado registra como parte do município de Itabuna. A cidade natal também aparece no perfil do escritor publicado pela Câmara Municipal de São Paulo, onde ele atuou como deputado federal eleito pelo estado.
O pai, João Amado de Faria, também era sergipano e havia chegado à região cerca de dez anos antes, atraído pelas lavouras de cacau. Ainda bebê, Jorge se mudou com a família para Ilhéus, onde passou a infância, o que explica por que muita gente associa o escritor apenas à cidade vizinha. A paisagem das fazendas, porém, ficou para sempre em livros como Cacau e Terras do Sem Fim.

O que aconteceu quando o cacau entrou em crise?
Durante décadas, a região viveu o auge do chamado ouro marrom. No fim dos anos 1980, a chegada da vassoura-de-bruxa, um fungo que ataca os cacaueiros, derrubou a produção e obrigou o sul da Bahia a se reinventar, com o comércio e os serviços ganhando mais peso na economia das cidades.
A virada mais recente veio com a valorização da origem. Em 2018, o cacau da região recebeu do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) o selo de Indicação Geográfica, segundo o Governo da Bahia. O reconhecimento ajudou a impulsionar a produção de amêndoas de qualidade e de chocolates especiais com a marca da região.
O que conhecer em Itabuna e arredores?
A cidade guarda no centro marcas da época dos coronéis do cacau, com casarões e ruas comerciais movimentadas. É ali que o itabunense resolve a vida, entre lojas, bancos e serviços que atendem municípios vizinhos.
Fora da área urbana, o roteiro leva às origens rurais da cidade e à paisagem que inspirou a literatura grapiúna, com fazendas de cacau espalhadas pelas encostas e o rio acompanhando o caminho.
Roteiro entre a história e o ouro marrom
Entre memória literária, cacau e paisagem, alguns lugares ajudam a entender a identidade itabunense:
- Ferradas: distrito onde nasceu Jorge Amado, ligado às origens rurais e à memória da fase áurea do cacau.
- Centro histórico: casarões e ruas comerciais que lembram a riqueza da elite cacaueira do início do século XX.
- Margens do Rio Cachoeira: o rio que viu nascer o arraial e ainda corta a cidade.
- Fazendas de cacau da região: propriedades que mostram o caminho do fruto até a amêndoa e o chocolate.
Os passeios por Itabuna e pela região de Comandatuba aparecem neste vídeo do canal Eu no Nordeste, que apresenta atrações e paisagens do sul da Bahia:
Como é o clima durante o ano em Itabuna?
Itabuna tem clima quente e úmido o ano inteiro, com pouca variação de temperatura e chuva distribuída por todos os meses, sem uma estação seca definida. No cotidiano, isso significa guarda-chuva sempre à mão, tardes abafadas no verão e noites um pouco mais frescas entre junho e agosto.
Itabuna em cada estação
Cada período do ano traz pequenas variações de temperatura e volumes de chuva diferentes:
Faixas baseadas nas médias climatológicas de 30 anos do Climatempo. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte a previsão de 15 dias para Itabuna.
Uma cidade feita de chegadas e recomeços
Itabuna nasceu das mãos de migrantes, prosperou com o cacau, enfrentou a crise da lavoura e encontrou novos caminhos no comércio e na valorização da origem do fruto. A mesma terra que inspirou um dos escritores mais lidos do país continua a escrever sua própria história.
Na escala de uma vida, cada safra parece um capítulo isolado; na história de uma cidade, elas formam um enredo de persistência que segue aberto à beira do Rio Cachoeira.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)