Reconhecida por lei como a Capital do Leite, essa cidade brasileira produz 480 milhões de litros de leite por ano e tem padrão europeu de qualidade desde a chegada dos holandeses em 1951
480 milhões de litros de leite por ano com padrão europeu desde 1951
Em 26 de dezembro de 2017, uma lei federal coroou o que os números do Paraná já mostravam havia décadas: Castro, na região dos Campos Gerais, virou oficialmente Capital Nacional do Leite. A cidade produz cerca de 480 milhões de litros por ano e tem produtividade comparável à dos Estados Unidos e da Europa, fruto da chegada dos imigrantes holandeses em 1951.
Como uma lei federal selou o título da Capital do Leite
O reconhecimento veio pela Lei Federal nº 13.584/2017, sancionada pela Presidência da República e publicada no Diário Oficial da União. O projeto começou a tramitar em 2012 e foi aprovado tanto pela Câmara quanto pelo Senado antes da assinatura.
O argumento central usado no Congresso veio de dados oficiais. Em 2016, ano-base da proposta, Castro produziu 255 milhões de litros, o equivalente a 5,39% de tudo o que o Paraná entregou no setor. Hoje, registros recentes da cooperativa local apontam volumes próximos de 480 milhões de litros anuais, com a vizinha Carambeí somando outros 220 milhões. Juntas, as duas formam um dos maiores polos leiteiros da América Latina.

O que torna o leite de Castro tão diferente
A diferença começa na vaca. Enquanto a média brasileira gira em torno de 1.700 litros por animal a cada ano, em Castro algumas propriedades passam de 8 mil litros, segundo a Associação Paranaense dos Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH). Em entidades técnicas do setor, o número é tratado como padrão norte-americano e europeu.
A qualidade sanitária também impressiona. A contagem de células somáticas, indicador de saúde do úbere, fica abaixo de 300 mil por mililitro no leite local. O limite máximo permitido nos Estados Unidos é de 750 mil, e na União Europeia, de 400 mil. O leite de Castro entra em iogurtes e queijos com índices de pelo menos 3% de gordura e 2,9% de proteína, conforme dados divulgados pelas próprias cooperativas.
Quem trouxe a tradição leiteira para os Campos Gerais
A história começa antes do título. Castro recebeu alemães e poloneses ainda no século 19, mas o salto produtivo veio depois da Segunda Guerra Mundial. Entre 1951 e 1954, 58 famílias vindas do norte da Holanda fundaram a Colônia Castrolanda, conforme registros oficiais do governo do Paraná.
Em 1954, com 50 sócios, os imigrantes criaram a Cooperativa Agropecuária Castrolanda, que hoje reúne mais de 1.100 cooperados. Os holandeses trouxeram genética bovina, técnica e uma cultura de cooperativismo que se espalhou pela região. Castro, Carambeí e Arapoti foram um único município até 1966 e ainda operam em intercooperação por meio das cooperativas Castrolanda, Frísia e Capal, que mantêm a marca Unium.
Vale a pena conhecer Castro?
Vale, e não só pelo leite. Aos 322 anos, Castro é a terceira cidade mais antiga do Paraná e foi um ponto-chave na rota dos tropeiros que ligavam São Paulo ao Rio Grande do Sul. Conforme o portal oficial Viaje Paraná, a cidade reúne herança tropeira, colônia holandesa e um dos maiores cânions do Brasil. Entre os principais atrativos, destacam-se:
- Centro Cultural Castrolanda: complexo com museu da imigração holandesa, jardins e o Moinho De Immigrant, com 37 metros de altura e pás de 26 m.
- Museu do Tropeiro: prédio histórico no centro com objetos e documentos da rota que cruzava os Campos Gerais.
- Cânion Guartelá: a 46 km da cidade, é um dos cânions mais extensos do mundo, com trilhas e mirantes.
- Parque Lacustre: área central com lago, ciclovia e estrutura para caminhadas.
- Fazenda Capão Alto: antiga propriedade tropeira que ajudou a moldar a economia regional.
- Morro do Cristo: mirante natural com vista panorâmica da cidade.
A mesa também conta a história. Os pratos mais procurados são:
- Erwtensoep: sopa holandesa de ervilhas com linguiça, servida em algumas casas da Colônia Castrolanda.
- Queijos coloniais: produzidos com leite local nas cooperativas, com destaque para tipo gouda e maasdam.
- Stamppot: clássico holandês de purê com legumes e linguiça, comum nas festas da colônia.
- Doces de leite e iogurtes artesanais: subprodutos do leite que ganham espaço nas lojas locais.
- Carne tropeira: receitas com feijão, paçoca de carne seca e arroz, herança do ciclo do tropeirismo.
Quer um roteiro de 1 dia em Castro e Carambeí, saindo de Ponta Grossa (PR)? Vai curtir esse vídeo:
Quando o clima de Castro favorece cada passeio?
O município fica a cerca de 1.000 metros de altitude, o que garante invernos bem marcados e verões amenos. Em julho, geadas são comuns na zona rural. Veja o que esperar em cada estação:
Estação chuvosa e de temperaturas agradáveis. Aproveite as manhãs firmes para percorrer as trilhas do Cânion Guartelá com segurança.
Com a queda das precipitações, o clima esfria. Refugie-se explorando os museus locais e conheça o histórico moinho holandês da região.
Prepare-se para as geadas rurais. Época perfeita para prestigiar a famosa feira Agroleite e as tradicionais festividades típicas holandesas.
Os termômetros voltam a subir gradativamente. Visite o Parque Lacustre e suba o Morro do Cristo para vistas panorâmicas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme a altitude.
Como chegar à Capital Nacional do Leite
Castro fica a 160 km de Curitiba, com acesso pela BR-376 até Ponta Grossa e depois pela PR-151. De carro, a viagem leva cerca de duas horas e meia. O aeroporto mais próximo é o de Ponta Grossa, a 43 km. Quem chega pelo Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, percorre 180 km até o município.
Vá para Castro e prove o melhor leite do país
Poucos lugares no Brasil conseguiram transformar um produto simples em referência mundial. Castro juntou tropeirismo, imigração holandesa e cooperativismo num arranjo que rende quase meio bilhão de litros de leite todo ano.
Você precisa conhecer Castro e provar um copo de leite numa cidade onde cada gota carrega 75 anos de tradição holandesa.
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