Produtor vende a cama das galinhas, que muita gente jogaria fora, e descobre que o material vira adubo valorizado e renda extra para a granja
Rico em nutrientes, o material que forra o galinheiro precisa passar por compostagem e não pode ir para o cocho do gado, segundo a Embrapa e a Adapar
Muita gente olha para a cama das galinhas, a camada que forra o piso do galinheiro, e enxerga só sujeira a ser descartada. A pesquisa agropecuária mostra o contrário: depois de compostado, o material vira adubo orgânico procurado por agricultores. Por isso a venda da cama das galinhas entrou na conta de produtores que querem renda extra sem desperdiçar o que a granja já produz.
O que é a cama das galinhas e por que ela vale dinheiro?
A cama é o material espalhado no chão do aviário que, ao longo de cada lote, acumula o esterco das aves e restos de ração. Essa mistura concentra nutrientes que as plantas usam para crescer, e é isso que desperta o interesse de quem cultiva a terra.
Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a cama de frango é um adubo orgânico usado no preparo do solo, inclusive em sistemas de integração lavoura-pecuária. A instituição cita a região de Sete Lagoas, em Minas Gerais, como a maior produtora desse fertilizante no estado.
O valor do material também tem relação com a economia do país. O mesmo texto da Embrapa lembra que o Brasil importou 70% dos fertilizantes usados na safra 2011/2012, a um custo de cerca de 9 bilhões de dólares. Num mercado tão dependente de insumo estrangeiro, um adubo produzido dentro da propriedade ganha espaço.

Compostagem transforma a cama do aviário em adubo seguro
A cama não deve sair do galinheiro direto para a lavoura: antes, ela passa pela compostagem. De acordo com a Embrapa, o processo elimina patógenos e ajuda a evitar moscas e pragas de solo, como cupins e larvas de besouros. Aditivos como fosfato ou gesso deixam o composto mais viável, e a mistura com esterco bovino melhora a relação entre carbono e nitrogênio.
A Embrapa Solos publicou um guia prático sobre o tema, Como fazer a compostagem de cama de frango para uso em pastagem, assinado pelo pesquisador Vinicius de Melo Benites. Quem se interessa por reaproveitar resíduos na propriedade pode conhecer também um modelo da Embrapa que junta galinhas, horta e compostagem no mesmo espaço.
Análise de solo define a dose certa de cama de frango
A quantidade de adubo depende do solo e do próprio composto, por isso a análise vem antes de qualquer aplicação. A orientação, registrada pela Embrapa, é da Emater de Minas Gerais, que recomenda complementar com adubo químico quando o exame indicar necessidade.
Esse cuidado evita dois erros comuns na roça. Pouca cama não supre a necessidade da lavoura, e o excesso significa gastar mais material do que a planta consegue aproveitar.
Há também uma vantagem de longo prazo que pesa na decisão de quem compra. Segundo a Embrapa, a adubação com cama de frango permanece por mais de um ano no solo, o que ajuda a explicar a procura de agricultores e pecuaristas pelo material.
Cama de aviário é proibida na alimentação de bois e vacas
Vender a cama como adubo é permitido, mas oferecer o material como comida para o gado é proibido no Brasil desde 2004. A regra é do Ministério da Agricultura, como explica a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar).
O motivo é sanitário. A cama contém restos de ração com proteína animal, e o consumo por ruminantes pode transmitir a encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como doença da vaca louca. A Adapar também cita o botulismo, capaz de matar bovinos.
Quem descumpre a regra enfrenta consequências pesadas. Segundo a Adapar, quando o uso indevido é detectado, os animais devem ser abatidos em estabelecimento com inspeção oficial ou destruídos. Por isso, quem vende deve deixar claro ao comprador que o produto serve apenas para o solo.
Vender a cama das galinhas pode virar renda extra na granja?
Pode, desde que o produtor trate o material como insumo, e não como resto. Compostar, armazenar de forma adequada e saber a quem se vende são passos que dão segurança ao negócio e ao comprador.

O preço varia conforme a região, o volume e a qualidade do composto, e não existe uma tabela oficial única. Quem pretende comercializar em maior escala deve procurar o órgão de defesa agropecuária do estado e a assistência técnica rural para conhecer as regras locais.
Aquele material que muita gente jogaria fora volta ao campo como nutriente e ainda entra no caixa da granja. Se você cria galinhas, mesmo em pequena escala, converse com um técnico da extensão rural da sua região e descubra quanto a sua cama pode render.
E já que o assunto é galinha, uma dúvida antiga também ganhou explicação da ciência. A resposta está em outra matéria do site.
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