Filhotes de onça-pintada são flagrados relaxando, e pouca gente sabe que eles podem passar até dois anos ao lado da mãe aprendendo a caçar antes de viver sozinhos
Pesquisa com mais de 180 onças no Pantanal registrou a independência dos filhotes entre 17 e 21 meses, e machos e fêmeas seguem rumos diferentes
17,6 meses é a idade média em que os filhotes de onça-pintada se tornam independentes no Pantanal, segundo um estudo que catalogou mais de 180 animais. As cenas de filhotes descansando ao lado da mãe, que circulam nas redes, mostram só um momento de uma convivência longa. Nesse período, os jovens aprendem a caçar, a se esconder e a se virar sozinhos.
Por quanto tempo o filhote de onça fica ao lado da mãe?
O filhote de onça costuma passar perto de dois anos com a mãe antes de seguir a vida sozinho. A ficha da espécie da San Diego Zoo Wildlife Alliance informa que os jovens ficam por perto até cerca de dois anos, quando estão prontos para ocupar um território próprio.
No Pantanal, os dados de campo apontam um prazo um pouco menor. O estudo publicado no Journal of Mammalogy registrou a independência entre 17 e 21 meses em 18 ninhadas acompanhadas. A diferença mostra que esse calendário varia conforme o ambiente e cada família.
Veja abaixo o vídeo do canal de Tiago Jácomo:
Como a mãe ensina o comportamento de caça aos filhotes?
O aprendizado acontece na convivência diária: o filhote segue a mãe, observa e repete. Segundo a instituição californiana, os pequenos nascem de olhos fechados, que se abrem entre 3 e 13 dias. Com seis a oito semanas de vida, já conseguem acompanhar a mãe pelo território.
A amamentação vai até os cinco ou seis meses, e o comportamento de caça se consolida aos poucos. Os jovens começam a caçar por conta própria por volta dos 15 a 18 meses, mas continuam perto da mãe por mais um tempo. Entre esses felinos, a fêmea cria a ninhada sem ajuda do macho.

O que o estudo no Pantanal revelou sobre as onças-pintadas
O trabalho liderado pelo pesquisador Carlos Eduardo Fragoso é apresentado pelos autores como o primeiro estudo de longo prazo e larga escala sobre a reprodução de onças-pintadas livres. Os dados vieram de observação direta e armadilhas fotográficas, reunidos de 2011 ao início de 2020, numa fazenda de gado que também recebe ecoturismo.
Entre os resultados, a maioria dos partos teve um único filhote: foram 65,7% dos registros, com média de 1,43 por ninhada. Outro hábito das mães pantaneiras, o chamado vocal para reunir a cria, também já foi tema por aqui.
Vídeo mostra comportamento nunca visto de onça-pintada com seus filhotes➔
Machos partem para longe e fêmeas ficam perto da mãe
Depois da separação, machos e fêmeas tomam caminhos diferentes: os machos deixam a área onde nasceram. Dos 27 machos nascidos no local que chegaram à independência, só dois voltaram a ser registrados nos anos seguintes. Nenhum deles ficou mais de 13 meses na região depois de partir.
As fêmeas fazem o contrário. Das 33 nascidas na área estudada, 21 permaneceram em territórios vizinhos ao da mãe depois de ganhar independência. Na prática, as filhas tendem a continuar morando na vizinhança da família.

O ritmo reprodutivo acompanha essa criação demorada. Quando a ninhada sobrevive, o intervalo entre partos foi de 21,8 meses em média. Se os filhotes morrem, a fêmea pode voltar a parir em cerca de 9,5 meses. Os autores estimam que cada fêmea gere 8,13 filhotes ao longo da vida.
O que acompanhar sobre as onças-pintadas daqui para frente?
A próxima frente é entender como as mães protegem a cria por tanto tempo. Os pesquisadores registraram fêmeas acasalando durante a gestação ou a criação dos filhotes em 41,4% dos encontros e cópulas observados.
Para os autores, esse comportamento pode ter surgido como defesa contra o infanticídio, quando machos matam filhotes que não são seus. É uma hipótese levantada pelo estudo, não um resultado fechado, e ainda não vale como regra para outros felinos.
Daqui para frente, vale acompanhar as novas temporadas de monitoramento no Pantanal, que registram nascimentos e a saída dos jovens. A informação oficial está nos artigos científicos dos pesquisadores, como o do Journal of Mammalogy, e nas fichas de instituições de conservação. Da próxima vez que um vídeo de filhote de onça relaxando aparecer no seu celular, lembre que ele está em plena escola de caça e curta a cena com outros olhos.
A força desse predador também rende outra curiosidade, desta vez sobre a mordida da espécie.
O animal brasileiro que tem uma mordida de mais de 680kg de força➔
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)