Uma pegada humana de 23 mil anos atravessou um período de seca e lagos encolhendo no Novo México durante a Era do Gelo
Novas datações revelam que humanos caminharam por margens de um lago em retração durante uma transformação climática intensa na última Era do Gelo
Novas escavações revelaram que as pegadas de White Sands registram a presença humana durante uma intensa transformação climática há aproximadamente 23 mil anos. No Novo México, Estados Unidos, antigas margens de um lago encolheram rapidamente, permitindo que pessoas e grandes animais atravessassem terrenos que depois preservariam suas marcas durante milênios.
Por que as pegadas de White Sands mudaram a história da ocupação americana?
O Parque Nacional de White Sands ocupa parte da bacia de Tularosa, região que durante a última Era do Gelo abrigava o lago Otero. Suas margens apresentavam ambientes úmidos frequentados por humanos, mamutes, preguiças-gigantes e outros animais pré-históricos.
Quando as primeiras datações foram divulgadas, em 2021, elas indicaram presença humana muito anterior à cronologia tradicionalmente aceita para o povoamento das Américas. Pesquisas posteriores reforçaram essa interpretação, mostrando que as marcas pertencem ao Último Máximo Glacial, quando enormes geleiras cobriam partes da América do Norte.
O que as novas escavações revelaram sobre a antiga paisagem?
O estudo publicado em outubro de 2026 identificou 20 camadas sedimentares contendo pegadas humanas, rastros de grandes animais e marcas lineares associadas ao transporte de cargas. As evidências foram datadas entre aproximadamente 23.500 e 21.700 anos atrás.
Os pesquisadores também reconheceram uma transformação ambiental importante, ocorrida por volta de 23.200 anos atrás. O lago Otero encolheu durante um episódio de aridez intensa, expondo terrenos que permaneceram acessíveis à circulação humana por quase dois milênios.
Os principais resultados identificados foram:
- Vinte camadas arqueológicas com vestígios preservados;
- Pegadas datadas entre 23.500 e 21.700 anos;
- Redução expressiva do antigo lago Otero;
- Trilhas humanas próximas de rastros de megafauna;
- Marcas lineares compatíveis com transporte de objetos.
O vídeo Footprints from the Past, produzido pela AZPM, apresenta as pegadas fossilizadas de White Sands e explica sua importância para a história dos primeiros habitantes americanos.
Como as pegadas de White Sands sobreviveram às mudanças climáticas?
As marcas foram produzidas sobre sedimentos úmidos próximos às margens do lago. Quando pessoas e animais atravessavam essas superfícies, seus pés deformavam camadas de lama e materiais ricos em gipsita, deixando impressões que posteriormente ficaram cobertas por novos depósitos.
A alternância entre umidade, secagem e soterramento favoreceu a preservação. Ao longo de milhares de anos, essas camadas registraram mudanças na paisagem, permitindo relacionar a movimentação dos antigos habitantes às variações ambientais daquele período.
Como os cientistas reconstruíram a idade das pegadas e a antiga seca?
O estudo publicado na revista Science Advances, em 14 de outubro de 2026, foi liderado por Kathleen Springer e Jeffrey Pigati, do Serviço Geológico dos Estados Unidos, com participação de Jessica Tierney, David Bustos e outros pesquisadores.
A equipe combinou datação por carbono 14 de pólen de coníferas e sementes aquáticas com análises de sedimentos e biomarcadores ambientais. Os resultados relacionaram o recuo do lago ao evento climático Dansgaard-Oeschger 2, episódio de aquecimento abrupto ocorrido durante o Pleistoceno.

Quais vestígios acompanharam as pegadas de White Sands durante a seca?
As escavações revelaram uma sequência de ambientes que passaram de lago permanente a superfícies periodicamente secas. Essa transição permitiu a circulação de humanos e animais por regiões anteriormente cobertas pela água, sem significar que toda a bacia tenha secado simultaneamente.
Além das pegadas, marcas lineares sugerem o uso de estruturas para arrastar cargas, conhecidas como travois. Entretanto, esses rastros não permitem determinar com segurança quais objetos eram transportados nem identificar todos os participantes dessas atividades.
| Evidência preservada | Informação científica |
|---|---|
| Pegadas humanas | Presença entre 23.500 e 21.700 anos |
| Sedimentos lacustres | Recuo do lago Otero |
| Pólen e sementes | Datação e reconstrução ambiental |
| Marcas de transporte | Possível deslocamento de cargas |
O que a descoberta revela sobre a adaptação humana às mudanças ambientais?
Os resultados demonstram que comunidades humanas ocuparam a região durante transformações rápidas do ambiente, quando a disponibilidade de água e os espaços acessíveis sofreram alterações importantes. As trilhas preservadas mostram deslocamentos por uma paisagem compartilhada com grandes mamíferos.
Entretanto, as pegadas não revelam diretamente como essas populações enfrentaram a escassez hídrica ou reorganizaram sua alimentação. Novas escavações poderão esclarecer padrões de circulação e permanência. A descoberta também reforça que mudanças climáticas antigas podem ser investigadas através de vestígios humanos excepcionalmente preservados.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)