Poços azuis tão transparentes que parecem rasos e uma piscina de borda infinita: a antiga vila do ouro no norte da Chapada dos Veadeiros
Uma antiga região de garimpo se transformou em destino de ecoturismo, com piscinas naturais de águas cristalinas, cânions e trilhas entre serras.
No norte da Chapada dos Veadeiros, Cavalcante começou como arraial de garimpeiros atrás de ouro, quase três séculos atrás. Hoje, quem chega à cidade sai em busca de outro tesouro, com guia local e mochila nas costas: cachoeiras e poços de água tão clara que o fundo parece estar ao alcance da mão.
Onde ficam os poços azuis que parecem rasos?
Eles estão no Complexo Águas Lindas e Canjica, inaugurado em 2020 e um dos atrativos mais novos do município. Segundo a Prefeitura de Cavalcante, o Poço das Águas Lindas tem água azul-esverdeada tão transparente que dá a falsa impressão de ser raso, embora seja profundo. Pelo caminho, um cânion de rochas guarda outros poços e pequenas quedas.
O ponto alto fica no fim do percurso: uma piscina de borda infinita com vista para as montanhas, logo acima da queda da cachoeira das Águas Lindas. A última parada é a Cachoeira Canjica, onde o sol costuma formar arco-íris na água. Para chegar, é preciso encarar uma trilha de 5,5 km, de nível moderado a difícil, sempre com guia, que é obrigatório.

Alguns números ajudam a medir o tamanho da história e da paisagem do município:
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Como o ouro deu origem à cidade de Cavalcante?
A cidade carrega o nome de quem chegou primeiro. De acordo com a história oficial do município, o garimpeiro Julião Cavalcante entrou na região em 1736 e encontrou uma mina profunda às margens do córrego Lava Pés, na Serra da Cavalhada. A notícia atraiu aventureiros de longe, e o povoado nasceu batizado em homenagem ao descobridor. O arraial foi fundado oficialmente em 1740 e, em 1794, ganhou uma casa de fundição de ouro, que funcionou até 1806.
Quando o metal escasseou, a economia mudou de rumo para a agricultura e a pecuária, com açúcar, carne e farinha de mandioca. A prefeitura registra ainda um capítulo pouco lembrado: durante algum tempo, o município exportou farinha de trigo para os Estados Unidos, graças ao clima, à altitude e ao solo da serra. Naquela época, o território de Cavalcante cobria quase todo o nordeste goiano, de Formosa até Arraias, hoje no Tocantins.
O que fazer em Cavalcante além das piscinas naturais?
A caminhada mais longa sai do coração da cidade. O Ministério do Turismo descreve o Caminho de Santana como uma trilha de 78 km que começa e termina na praça da Igreja Matriz de Sant’Ana, no centro histórico, e pode ser percorrida em até oito dias, entre a Serra das Araras e a Serra de Santana.
Para roteiros mais curtos, o município reúne cachoeiras, mirantes e formações rochosas espalhadas pelo interior. Boa parte dos passeios depende de estrada de terra, guia credenciado e das regras de cada propriedade.
Cachoeiras e formações do município
Entre rios, pedras e quedas d’água, alguns atrativos completam bem a viagem:
- Ponte de Pedra: formação natural de rocha que cruza o Rio São Domingos, um dos cartões-postais citados pelo turismo federal. Ver atrativo.
- Cachoeira da Capivara: uma das quedas citadas pelo turismo federal entre os destaques do município; acesso e regras variam. Ver atrativo.
- Cachoeira Candaru: outra queda listada entre os atrativos do município; vale confirmar acesso e necessidade de guia antes de sair. Ver atrativo.
- Parque Natural Municipal do Lava-pés: área protegida da cidade que leva o nome do córrego onde foi encontrado o ouro que deu origem ao povoado.
Para conhecer a cidade de Cavalcante, suas paisagens e seu cotidiano, acompanhe este vídeo do canal Andarilhas:
Um município maior que o Distrito Federal
Com 6.948 km², Cavalcante tem área maior que a do Distrito Federal, e a distância entre um atrativo e outro costuma ser medida em horas de estrada. Uma extensa área do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, reconhecido como Patrimônio Natural Mundial da Unesco, fica dentro do município, ao lado de outras áreas protegidas públicas e reservas particulares.
Essa escala explica o ritmo da cidade. A sede funciona como base: é ali que visitantes dormem, contratam guias, abastecem o carro e trocam informações antes de seguir para trilhas que podem levar o dia inteiro.
Como é o clima de Cavalcante ao longo do ano?
Cavalcante tem duas estações bem marcadas: chuvas fortes de novembro a março e uma seca quase absoluta de junho a agosto, quando julho registra média zero de chuva na série de 30 anos. As temperaturas variam pouco, com máximas entre 26°C e 30°C e o pico de calor em setembro, no fim da estiagem.
Cavalcante em cada estação
Cada período do ano traz temperaturas e volumes de chuva bem diferentes:
Faixas baseadas nas médias climatológicas de 30 anos do Climatempo. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte a previsão do Climatempo.
O ouro que virou água
Cavalcante trocou de riqueza sem trocar de cenário. As mesmas serras que atraíram garimpeiros no século XVIII hoje recebem caminhantes que medem o valor do lugar pela transparência de um poço ou pela altura de uma queda.
No fim da tarde, quando a luz baixa pinta de verde a borda de uma piscina natural e a trilha começa a esvaziar, fica fácil entender por que tanta gente ainda sobe a serra procurando o que brilha no fundo da água.
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