As duas mensagens contraditórias das urnas
Eleitores repeliram lulismo e ministros do STF no primeiro turno, mas rejeitaram um Bolsonaro como o líder desse movimento no segundo
Foi Lula quem riu por último na eleição presidencial deste ano, mas a mensagem das urnas para o petista é mais complexa do que pode levar a entender a expressiva vitória sobre Flávio Bolsonaro.
O presidente conseguiu mobilizar a militância com uma campanha de medo e com benesses cujo efeito pareceu insuficiente no primeiro turno, quando a maioria do eleitorado deu um recado claro contra seu governo e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que o compõem.
O recado do segundo turno também é bem claro, e Lula nem sequer tem muita margem para lê-lo errado, por conta do péssimo governo que fez: a maioria do país não estava disposta a entregar para um Bolsonaro a missão de corrigir os problemas com que o petista não quis lidar.
Flávio pareceu palatável por algum tempo da pré-campanha e da campanha, mas aparentemente boa parte da população só foi prestar atenção ao candidato de fato no segundo turno, graças, também, à campanha de desconstrução lulista, que não tinha funcionado tão bem no primeiro turno.
Desconstrução
No limite, a população sinalizou desejo de mudança, mas repeliu o bolsonarismo de novo, desta vez em sua versão mais light, que pede desculpas e admite que errou — sempre em busca do voto.
Os bolsonaristas procuram culpados, mas o culpado é sempre o candidato.
Flávio tem defeitos fáceis de entender. O lulismo envolveu na campanha uma mãe que perdeu uma menina de cinco anos num tiroteio, lembrou um voto do senador contra extensão da licença maternidade, destacou a ligação de sua família com milícias do Rio de Janeiro e ainda contou algumas mentiras, para além da política irresponsável de distribuição de benesses.
O recado
Lula segue com o governo mal avaliado e terá uma tarefa muito difícil nos próximos anos para melhorar sua aprovação, porque o espaço para a irresponsabilidade praticamente sumiu.
Se interpretar a reeleição como um endosso ao seu terceiro mandato, corre o risco de não conseguir terminar o governo. Quem vai sofrer mais nesse processo, contudo, é a população, que pode ter se livrado de alguns problemas com Flávio na Presidência, mas apenas os trocou por outros.
Leia mais: A herança maldita de Lula
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Comentários (3)
Andre Luis Dos Santos
26.10.2026 12:02Uma vez que a suprema corte esteja dominada, e vai estar apos as 4 nomeações de Lula, o Brasil terá se tornado uma Venezuela.
Joaquim Duran
26.10.2026 11:56Não se trata de apenas trocar uns problemas por outros, foi uma demonstração de autoafirmação em vários sentidos.
ELENIR MALACRIDA
26.10.2026 11:32Acabem com o LULOMETRO!!!Dá muito nojo ficar vendo esta besteira.