Com formato circular à beira-mar e 173 apartamentos, edifício inaugurado em 1971 virou um dos maiores símbolos do turismo na Paraíba
O desenho arquitetônico integrado à praia marcou gerações de visitantes, enquanto os planos de recuperação enfrentam novos desafios.
À primeira vista, o enorme anel de concreto parece avançar da orla para o mar, em vez de apenas ocupar um terreno urbano. Inaugurado em 1971, o Hotel Tambaú, em João Pessoa, tornou-se um marco da arquitetura moderna brasileira por seu desenho circular e pela relação direta com a paisagem costeira.
Por que o Hotel Tambaú foi construído praticamente sobre a areia?
O hotel foi implantado em um banco de areia na praia de Tambaú, entre dois trechos da orla de João Pessoa. A escolha era incomum porque aproximava a estrutura das marés e exigia soluções específicas para fundações e resistência do edifício.
O projeto nasceu em meados dos anos 1960, com obras iniciadas no fim da década e inauguração em 11 de setembro de 1971. O empreendimento fez parte de uma estratégia estadual de expansão turística, numa época em que a cidade ampliava sua ocupação em direção ao litoral.

Como a arquitetura circular organiza os apartamentos?
O arquiteto Sérgio Bernardes distribuiu os ambientes em anéis concêntricos e dois pavimentos, aproveitando a geometria para criar jardins e pátios internos. A forma não era apenas estética: organizava a circulação e aproximava apartamentos de diferentes vistas.
Ao todo, eram 173 apartamentos, muitos voltados para o Atlântico e outros para áreas ajardinadas. Um estudo arquitetônico do Hotel Tambaú também descreve núcleos de serviços, circulação radial e o uso expressivo do concreto aparente.
O que havia dentro do complexo hoteleiro?
A estrutura reunia hospedagem, lazer e espaços para grandes eventos, com restaurantes, bares, piscinas e áreas esportivas. Havia ainda um auditório e salões de convenções, permitindo receber tanto turistas quanto encontros que movimentavam outros setores da economia.
O auditório tinha capacidade divulgada de 522 pessoas, enquanto as instalações de convivência atraíam visitantes além dos hóspedes. Diferentemente de uma torre convencional, a distribuição horizontal ampliava a presença física do hotel ao longo da faixa litorânea.
O complexo concentrava funções que iam além da hospedagem:
Por que o edifício virou um símbolo da cidade?
A trajetória do Tambaú Hotel acompanhou a expansão turística da capital. A forma circular tornou o edifício reconhecível em fotografias aéreas e cartões-postais, mesmo diante da verticalização posterior da orla.
A silhueta baixa contrasta com os prédios que surgiram ao redor. O projeto também passou a ser estudado pela ousadia de seu sistema estrutural e pela combinação entre espaços abertos, passarelas e concreto, materiais marcantes na arquitetura moderna.
Três características ajudam a explicar a importância do conjunto:
Quais desafios marcaram o fechamento do hotel?
A implantação sobre uma área costeira sempre despertou debate, inclusive pelo uso de terreno sensível à ação do mar. Pesquisadores reconhecem a importância arquitetônica do conjunto, mas também registram controvérsias sobre a localização escolhida durante o regime militar.
Depois de décadas de atividade, o hotel deixou de receber hóspedes em 2020, quando dificuldades empresariais e a pandemia agravaram sua situação. Leilões e questionamentos judiciais sobre a propriedade passaram a atrasar a recuperação do espaço.
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Quando o Hotel Tambaú poderá voltar a receber hóspedes?
Até outubro de 2026, o hotel permanecia fechado. Em 22 de outubro, uma decisão judicial autorizou medidas para transferir a posse ao grupo ligado ao Ocean Palace, mas a efetivação ainda dependia de procedimentos posteriores e não significava retomada imediata da hospedagem.
O grupo manifestou intenção de investir cerca de R$ 100 milhões na revitalização, sem cronograma consolidado de execução. A expectativa divulgada em outubro passou a considerar a virada de 2027 para 2028 como possibilidade, sujeita à posse efetiva e ao andamento das obras.
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