Oposição cobra governo sobre proteção a Roberta Luchsinger e filhas
Cabo Gilberto questiona se a PF apurou as ameaças relatadas pela empresária e se foi acionado o programa federal de proteção
O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), apresentou nesta segunda-feira, 19, um requerimento para que o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, preste esclarecimentos sobre as medidas adotadas para proteger a empresária Roberta Luchsinger e suas duas filhas.
Investigada pela Polícia Federal (PF) na Operação Sem Desconto, Roberta afirmou em entrevista à CNN receber cerca de 50 ameaças de morte por dia e relatou que as filhas também são alvo de ameaças de morte e estupro desde que ela foi chamada de “pilantra” pelo presidente Lula (PT).
Gilberto Silva quer saber do ministro, entre outros pontos:
- Se desde a data da primeira manifestação pública de Lula sobre a lobista, em 27 de agosto, o ministério, a Polícia Federal ou qualquer órgão vinculado receberam comunicação, notícia-crime, pedido de proteção ou registro de ameaças envolvendo Luchsinger ou suas filhas;
- Se foi instaurado inquérito policial ou procedimento investigatório para apurar as ameaças de morte e de violência sexual relatadas pela mulher;
- Se o órgão executor do Programa Federal de Assistência a Vítimas e a Testemunhas Ameaçadas foi acionado em relação a Luchsinger e às filhas dela;
- Quais medidas de proteção pessoal, escolta, segurança de residência ou preservação de dados foram adotadas, ou determinadas à Polícia Federal, em favor de Luchsinger e das filhas dela; e
- Se houve comunicação das providências ao ministro relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, e à Procuradoria-Geral da República.
“Em 17 de outubro de 2026, esta Liderança oficiou ao Diretor-Geral da Polícia Federal, ao Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública e ao Procurador-Geral da República requerendo providências urgentes de proteção, com fundamento no artigo 5º da Constituição Federal, no artigo 4º da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, na Lei nº 9.807/1999 e na Lei nº 12.850/2013. Os fatos relatados [por Luchsinger] configuram, em tese, os crimes de ameaça e perseguição”, diz o deputado na justificativa do requerimento.
“Não cabe a esta Liderança julgar a veracidade das acusações. O que se requer é anterior ao mérito: uma cidadã investigada pelo Estado, sob monitoramento eletrônico, que anuncia disposição de colaborar com a Justiça e que aponta como alvo de suas revelações a mais alta autoridade do País, afirma estar sob ameaça de morte“.
Segundo o parlamentar, “o Estado que a investiga tem o dever de mantê-la viva para que seja ouvida. Em período eleitoral, com o Presidente candidato à reeleição, qualquer hesitação será lida como conivência ou intimidação por omissão”.
Gilberto Silva ainda ressalta que o Ministério da Justiça e Segurança Pública é o órgão responsável pela execução do Programa Federal de Assistência a Vítimas e a Testemunhas Ameaçadas, além de ser a pasta à qual a Polícia Federal se vincula administrativamente.
“A sociedade brasileira tem o direito de saber se o Estado agiu, quando agiu e, se não agiu, por quê”.
O requerimento aguarda a Mesa Diretora da Câmara designar um relator para analisá-lo. Ele só será enviado ao ministro após parecer favorável do relator.
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