A verdadeira vantagem para Flávio no debate da Band
Numa campanha em que Lula partiu atrás de quem não foi votar no primeiro turno, o confronto repelente do domingo joga a favor da abstenção
Assim que um debate eleitoral acaba, começa a disputa para definir quem foi melhor. Essa é uma avaliação muito difícil de se fazer, principalmente depois que esses eventos passaram a ser usados para abastecer as redes sociais dos candidatos com recortes de trechos específicos.
Mas é possível dizer, a partir do contexto da eleição presidencial deste ano, que Flávio Bolsonaro (PL-RJ, à esquerda na foto) deixou os estúdios da Band no domingo, 18, com uma vantagem evidente em relação a Lula (PT, à direita na foto) após o quebra-pau que entrará para a história como um dos piores debates do Brasil.
Murilo Hidalgo, diretor da Paraná Pesquisas, chamou atenção, ao fim do debate, no programa Canal Livre, da Band, que a conduta bélica e pouco propositiva dos dois candidatos, que preferiram falar para seus próprios eleitorados, deve favorecer a abstenção entre os eleitores indecisos.
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Abstenções
A meta dos lulistas neste segundo turno era diminuir a abstenção do primeiro turno, de 21,06%, já que Flávio conseguiu 2,2 milhões de votos a mais que Lula no primeiro turno, e deve contar com a maior porção dos votos dos 9 milhões eleitores que optaram por outros candidatos a presidente.
Diminuir a abstenções no segundo turno já parecia uma missão impossível, porque só haverá eleições para governador em cinco estados e isso só ocorreu uma vez, em 2022 — afetando apenas cerca de 570 mil votos, 320 mil deles válidos, longe do que Lula precisa.
As pesquisas eleitorais até registraram, nas últimas semanas, o efeito da mobilização dos eleitores de Lula nas ruas e nas redes sociais, e indicaram uma aproximação entre as intenções de voto para o presidente e para seu desafiante.
Mas o maior desafio do petista segue sendo convencer quem não foi votar no primeiro turno a sair de casa, e o debate agressivo do domingo não deve ajudá-lo muito nessa missão.
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