Debate entre Lula e Flávio é o pior da história e virou bate-boca de boteco
O programa foi dominado por ofensas, acusações e provocações. Propostas e projetos ficaram em segundo plano
O primeiro debate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) foi, de longe, o pior dos confrontos entre candidatos à Presidência na história recente brasileira. Não por responsabilidade da Band, que cumpriu (e muito bem, diga-se de passagem) seu papel, mas pelos postulantes ao Palácio do Planalto.
O programa foi dominado por ofensas, acusações e provocações. Propostas e projetos ficaram em segundo plano — quando não desapareceram completamente. Não chega a ser uma surpresa. O encontro apenas condensou, em aproximadamente duas horas, o padrão que marcou a campanha até aqui.
Saiba mais: Flávio não quer ser mais Bolsonaro
Lula não conseguiu explicar as relações de seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com a lobista Roberta Luchsinger. Flávio Bolsonaro, por sua vez, não ofereceu uma explicação convincente para o investimento de 134 milhões de reais Daniel Vorcaro em um filme em homenagem a Jair Bolsonaro. O presidente também não esclareceu por que as investigações da Polícia Federal envolvendo seu filho avançaram tão pouco até agora.
No terreno das agressões, os dois foram mais eficientes.
Logo no início, Lula chamou Flávio de “malandro carioca”, numa referência ao estereótipo associado aos moradores do Rio de Janeiro. Em seguida, afirmou que o senador conhece ônibus “por literatura” e que nunca teria entrado em um. Flávio respondeu chamando o presidente de “ladrão” e “palhaço”.
Foi esse o nível do único debate da eleição entre esses dois personagens até aqui.
Mas houve um momento que chamou mais atenção. Lula desafiou Flávio a abrir suas contas e disse que faria o mesmo. O senador não aceitou o desafio.
A cena resume bem o problema do confronto: quando havia a oportunidade de transformar acusações em fatos verificáveis, os candidatos preferiram continuar trocando acusações.
Em 2024, muitos acreditaram que os debates eleitorais haviam chegado ao fundo do poço depois da cadeirada de José Luiz Datena em Pablo Marçal, durante um debate promovido pela TV Cultura.
Neste domingo, descobrimos que não.
Sem cadeirada, mas com o mesmo vazio, Lula e Flávio Bolsonaro mostraram que o fundo do poço dos debates eleitorais ainda pode estar alguns metros abaixo.
E quem saiu perdendo, mais uma vez, foi o eleitor.
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