Defesa de Vorcaro não reconhece autenticidade de áudio sobre filme de Lula
Advogados dizem não reconhecer origem, autenticidade e integridade do material e negam depoimento de Vorcaro à PF e PGR
A defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, afirmou nesta sexta-feira, 9, que não reconhece a origem, a autenticidade nem a integridade dos materiais divulgados como parte de tratativas de delação premiada, entre eles o áudio atribuído a Vorcaro sobre um suposto repasse de recursos para um documentário sobre o presidente Lula (PT).
Os advogados também disseram que Vorcaro não prestou depoimento à Polícia Federal (PF) nem à Procuradoria-Geral da República (PGR) durante as negociações.
“A defesa de Daniel Vorcaro repudia a divulgação de supostos anexos que estariam relacionados a tratativas de colaboração premiada que não foram celebradas. A defesa não confirma o conteúdo de qualquer material divulgado, cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas”, inicia a nota, assinada pelos advogados Sérgio Leonardo e Engels Augusto Muniz.
“O material preliminar da colaboração foi disponibilizado a um número restrito de autoridades que possuem dever legal de confidencialidade. A defesa esclarece que Daniel Vorcaro não prestou nenhum depoimento à PF ou à PGR no âmbito das tratativas de colaboração premiada. A defesa reafirma que Daniel Vorcaro possui informações personalíssimas e relevantes para o caso e segue disponível para contribuir com as autoridades“, complementa.
Os materiais divulgados que foram mencionados na nota vieram à tona em reportagem da revista Veja.
A reportagem diz que anexos entregues à Procuradoria-Geral da República pela defesa de Daniel Vorcaro, no âmbito das negociações por uma delação premiada, indicam que o ex-controlador do Banco Master teria pago 30 milhões de reais, “por fora”, ao Instituto Lula, gerenciado por Paulo Okamotto, para financiar o documentário “Lula”, de Oliver Stone.
Em áudio, o banqueiro contou que o pagamento seria parte das negociações feitas com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, para conseguir acesso aos cofres de fundos de pensão de servidores federais controlados pelo partido.
Segundo Vorcaro, a aproximação do Master com Vaccari Neto ocorreu por intermédio do então CEO do Master, Augusto Lima, e do ex-líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner.
Vaccari também exigiu, conforme Vorcaro, uma taxa de 10% de tudo o que o Master captasse junto aos fundos de previdência de servidores da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios.
Caso o negócio desse certo, o petismo embolsaria 1 bilhão de reais, e Vorcaro, 9 bilhões de reais.
“Dark Horse”
Impressionado com a revelação, o interlocutor de Vorcaro no áudio comparou a situação com o caso Dark Horse, no qual o banqueiro pagou mais de 60 milhões de reais para produzir filme sobre Jair Bolsonaro.
Mas Vorcaro discordou, dizendo que colocou até mais dinheiro no filme sobre Lula.
De acordo com o ex-controlador do Master, o dinheiro que financiou o documentário de Oliver Stone foi “por fora, foi errado”.
“O filme do Lula eu coloquei acho que até mais (que o filme de Bolsonaro). Eu acho que dá até mais. Só que o do Lula foi por fora, foi errado. O do Flávio não foi, porque foi patrocínio, foi patrocínio normal”, afirmou.
Envolvimento de Padilha?
Vorcaro acusou ainda o então ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, Alexandre Padilha, o então secretário-executivo da pasta, Olavo Noleto, e mais dois operadores ligados à dupla de terem participado do esquema.
“No fim de 2023 e início de 2024, formei uma equipe interna no Banco Master para captação institucional junto a novos produtos financeiros através dos fundos de pensão do Governo Federal… Com isso, eu logo passei a receber propostas espúrias [‘as mordidas’] de políticos e emissários desses”, disse o banqueiro.
Vorcaro afirmou partiu para a abordagem junto aos presidentes dos fundos estatais no primeiro semestre de 2024, por intermédio de um operador petista identificado como “Júlio”.
Mensagens encontradas pela Polícia Federal indicam que Júlio apresentou o banqueiro a Olavo Noleto, braço direito de Padilha no Planalto.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)