Crusoé: Remontando o STF
Votação do 1º turno eleitoral sinaliza forte rejeição ao Supremo, mas sinais de acomodação surgem no horizonte. E mais: Nova aposta no medo
O humor de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) mudou após a expressiva votação do primeiro turno eleitoral para a direita. Alexandre de Moraes autorizou progressão para o regime semiaberto de Débora do Batom, condenada pelo 8 de janeiro, deu prosseguimento ao pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para visitar o pai em prisão domiciliar e arquivou investigação sobre os bolsonaristas Marcos do Val, Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio.
Gilmar Mendes arquivou o processo sobre a aloprada acusação de estupro contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice na chapa presidencial de Flávio, e Flávio Dino conseguiu a proeza de não assinar nenhum despacho em benefício de Lula nos últimos cinco dias.
Os ministros do STF mais alinhados ao governo petista parecem atuar anestesiados pelas urnas, que estabeleceram as condições para o primeiro impeachment de um ministro do Supremo no Senado. Mas ainda é preciso entender o que isso significa para o tribunal, que vive a pior crise de sua história.
Até Lula passou a criticar o Supremo, dizendo que carrega nas costas a “promiscuidade” do tribunal — e, na verdade, foram os ministros do STF que carregaram nas costas o terceiro mandato do petista — e a Polícia Federal arquivou pedido de inquérito sobre intervenção estrangeira.
A eleição presidencial ainda não acabou, mas o adiamento da votação no Senado sobre o eleitoreiro projeto do fim da escala de trabalho 6×1 indica que o governo Lula está mesmo no final, após Flávio terminar o primeiro turno 2 milhões de votos à sua frente.
Surge no horizonte, portanto, um novo governo Bolsonaro, e, junto com ele, especulações sobre um possível entendimento entre o novo ocupante do Palácio do Planalto e a cúpula política do STF, dizem Rodolfo Borges e Wilson Lima em “Remontando o STF”, a reportagem de capa da nova edição de Crusoé.
Outros destaques de Crusoé
Na matéria “Nova aposta no medo”, Duda Teixeira e Wilson Lima contam que, após a divulgação dos resultados das urnas, com Flávio Bolsonaro dois pontos à frente de Lula, o PT retomou a campanha do medo com outros temas, como o fim de programas sociais.
Contudo, as chances de funcionar novamente são mínimas.
Colunistas
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Nesta edição, escrevem Roberto Reis (O medo requentado), Márcio Coimbra (A falha estratégica do vitimismo geopolítico), Wilson Pedroso (O Judiciário aprendeu o significado da palavra compaixão?), Maristela Basso (Quando as urnas falam), Roberto Ellery (O mercado apostou no ajuste. A política, ainda não), Clarita Maia (Israel, 7/10: as cadeiras vazias e as quebradas pela esquerda), Josias Teófilo (O cinema como guia moral) e Rodolfo Borges (A liderança humilde de Messi).
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