Visualizações não são votos
A euforia da campanha de Lula com o alcance das video selfies do candidato é um tanto constrangedora
O PT demonstra entusiasmo porque a primeira “video selfie” de Lula teve 15 milhões de visualizações em cerca de dez horas.
O número é bastante expressivo em comparação com a média que as postagens do petista vinham alcançando.
Se a grande aposta do partido é essa nova linguagem digital, melhor pôr as barbas de molho.
Não é que as redes sociais sejam irrelevantes.
Mas votos e visualizações não são a mesma coisa, apenas começam com a mesma letra.
Acreditar que vinte dias de videozinhos espertos serão capazes de compensar quatro anos de governo mal avaliado é puro pensamento mágico. Wishfull thinking, como se diz em inglês.
Lula se cercou de políticos e influenciadores jovens parar fazer sua ofensiva nas redes sociais.
É certo que eles ajudaram a multiplicar o alcance das postagens.
No entanto, imaginar que o artifício conseguirá rejuvenescer um político octagenário e sua campanha é outra falácia.
Até o outro dia, Lula vinha aparecendo em público como um plantador de bananas cubano da década de 1950, com aquelas camisas largas e de cores fortes (vermelho!) e aquele chapéu panamá.
Até o outro dia, a campanha do petista só sabia falar do passado – de como Lula foi extraordinário, de como o PT fez governos excepcionais (na opinião do próprio partido).
Eram coisas de quinze, vinte anos atrás.
Quase nada sobre como a vida do brasileiro comum estará melhor daqui a um ou dois anos, com menos dívidas e comida mais barata.
A campanha do PT não tem o que mostrar, nem tampouco ideias novas. Por isso está perdida.
Os números das vídeo selfies são factóides.
A euforia com eles, um tanto constrangedora.
Um termômetro mais preciso das perspectivas de uma virada de Lula frente a Flávio Bolsonaro deve vir com a divulgação da primeira pesquisa pós-primeiro turno, na noite desta quinta, 8.
Algo me diz que esses números o PT não vai querer alardear, nem em foto, nem em vídeo.
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