Há 21 mil anos, os primeiros americanos estavam chegando ao continente, diz estudo
Uma nova análise de evidências genéticas está reacendendo uma das maiores discussões da arqueologia: quando os primeiros humanos chegaram às Américas?
Uma nova análise de evidências genéticas está reacendendo uma das maiores discussões da arqueologia: quando os primeiros humanos chegaram às Américas?
O estudo publicado em setembro de 2026 sugere que os ancestrais dos povos indígenas atuais não chegaram ao continente antes de aproximadamente 21 mil anos atrás, perto do fim do Último Máximo Glacial.
A conclusão, porém, não encerra o mistério: migrações ainda mais antigas podem ter acontecido.
O que o novo estudo descobriu sobre a chegada às Américas?
Pesquisadores Bethany Potter, Savannah Hay, Archana Singh e Jennifer Raff revisaram evidências genéticas, arqueológicas e ambientais para comparar diferentes hipóteses sobre o povoamento das Américas.
A análise indica que a população ancestral dos povos indígenas atuais provavelmente alcançou o continente por volta de 21 mil anos atrás ou depois, durante uma fase extremamente fria da última era glacial.
Quais são os três principais cenários analisados dos primeiros americanos?
O trabalho comparou três grandes possibilidades para explicar quando os ancestrais dos povos indígenas chegaram às Américas. Os períodos considerados pelos pesquisadores são:
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Antes do Último Máximo Glacial
A chegada teria acontecido antes de 25 mil anos atrás, indicando uma presença humana muito anterior ao período de frio extremo.
Durante o Último Máximo Glacial
A entrada teria ocorrido entre 25 mil e 14 mil anos atrás, período em que o planeta enfrentava uma das fases mais frias da última era glacial.
Depois do período glacial
A chegada teria acontecido depois de 14 mil anos atrás, hipótese ligada aos modelos mais tardios de ocupação das Américas.
Os dados genéticos atualmente disponíveis favorecem uma chegada ancestral não anterior a cerca de 21 mil anos, mas ainda existem lacunas importantes no registro genômico.
As pegadas de 23 mil anos mudam a história sobre os primeiros americanos?
Um dos pontos mais intrigantes está no Parque Nacional de White Sands, no Novo México, onde pegadas humanas foram datadas entre aproximadamente 23 mil e 21 mil anos atrás. Elas indicam que humanos já estavam naquela região durante o Último Máximo Glacial.
O problema é que as evidências genéticas disponíveis ainda não mostram que essa população tenha contribuído significativamente para a ancestralidade dos povos indígenas atuais. Os pesquisadores ressaltam, entretanto, que isso pode mudar caso novas linhagens antigas sejam encontradas e analisadas.
Una excavación reveló restos de animales que fueron procesados por los primeros humanos que habitaron en América utilizando herramientas hace cerca de 13.000 años. 🔗👇 https://t.co/6FT4uio4I7
— El Espectador (@elespectador) September 28, 2026
Por que a origem dos primeiros americanos continua sendo um mistério?
A resposta está, em grande parte, na falta de material genético antigo. Embora centenas de genomas de indivíduos indígenas antigos já tenham sido estudados, regiões inteiras ainda permanecem praticamente sem amostras, dificultando a reconstrução completa das primeiras migrações.
O estudo também reforça que 21 mil anos não deve ser interpretado como uma data definitiva para a chegada do primeiro ser humano às Américas.
A conclusão se refere principalmente aos ancestrais das populações indígenas atuais, enquanto grupos humanos anteriores podem ter entrado no continente e deixado poucos ou nenhum descendente genético identificável hoje.
Assim, a descoberta não fecha o capítulo sobre o povoamento das Américas. Pelo contrário: ela mostra que a história pode ser ainda mais complexa do que os modelos tradicionais sugeriam.
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