Megaobra chinesa de R$ 18 bilhões começa a atravessar quase 1.500 km do Brasil para ligar Maranhão a Goiás com o maior empreendimento já visto no setor
A nova estrutura vai reforçar a ligação elétrica entre regiões distantes do país
Torres, cabos e enormes estações conversoras começam a formar um corredor elétrico entre o Maranhão, Tocantins e Goiás. A chinesa State Grid está por trás do projeto Graça Aranha-Silvânia, uma infraestrutura estimada em cerca de R$ 18 bilhões que atravessará quase 1.500 km do país transportando grandes blocos de energia.
O que está sendo construído entre Maranhão e Goiás?
O centro do projeto é uma linha de transmissão em corrente contínua de ultra-alta tensão que ligará a Subestação Graça Aranha, no Maranhão, à Subestação Silvânia, em Goiás, passando pelo Tocantins.
O Ministério de Minas e Energia informa cerca de 1.500 km de extensão e investimento estimado em R$ 18 bilhões para a linha, subestações e equipamentos associados. O corredor atravessa dezenas de municípios nos três estados.

Como uma linha de ±800 kV consegue transportar tanta energia?
A nova ligação usará corrente contínua em ±800 quilovolts, tecnologia indicada para transportar grandes quantidades de eletricidade por distâncias muito longas. O sistema terá capacidade nominal de 5 gigawatts.
Segundo o MME, a infraestrutura permitirá escoar até 4.000 MW em operação contínua. Nas duas extremidades, estações conversoras fazem a ligação entre a rede em corrente alternada e o grande corredor em corrente contínua.
Por que o Brasil precisa transportar energia por quase 1.500 km?
O objetivo é abrir mais capacidade para levar a eletricidade produzida principalmente no Norte e Nordeste até outras regiões do Sistema Interligado Nacional. A expansão de parques eólicos e solares aumentou a necessidade de corredores capazes de transportar essa produção.
A Empresa de Pesquisa Energética afirma que o bipolo Graça Aranha-Silvânia foi concebido justamente para ampliar a capacidade de exportação de energia das regiões Norte e Nordeste.
- Graça Aranha: será um dos grandes pontos de entrada e conversão de energia no Maranhão.
- Corredor de ±800 kV: transportará a eletricidade por quase 1.500 km.
- Silvânia: receberá o fluxo em Goiás e fará a conexão com outras estruturas da rede.
- Objetivo: ampliar o escoamento da geração renovável e reduzir gargalos de transmissão.
Por que esse projeto é considerado tão grande para o setor elétrico?
A escala vai além da distância. O empreendimento exige duas grandes estações conversoras, equipamentos de compensação, instalações de conexão e uma linha que cruza três estados e 42 municípios.
Em retrospectiva publicada em 2026, o Ministério de Minas e Energia voltou a apontar Graça Aranha-Silvânia como o empreendimento de maior porte e relevância estratégica do Leilão de Transmissão nº 2/2023.
Em que estágio está a megaobra em 2026?
O projeto entrou de fato na fase de construção. As obras da Subestação Silvânia foram lançadas ainda em 2025, enquanto a Subestação Graça Aranha recebeu autorização para avançar no início de 2026.
O passo decisivo veio em 2 de junho de 2026, quando o Ibama emitiu a licença de instalação para a linha principal e suas estruturas associadas. A State Grid Brazil Holding coloca o aporte ligado à expansão brasileira em aproximadamente R$ 18 bilhões até 2030.
A partir dessa etapa, a obra deixa de ser apenas um conjunto de subestações isoladas e começa a formar o corredor que atravessará Maranhão, Tocantins e Goiás. Quando concluído, ele abrirá uma nova rota de alta capacidade para a energia percorrer quase 1.500 km dentro do sistema elétrico brasileiro.
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