Roberto Reis na Crusoé: Lula, Nikolas e o fim de uma geração
O presidente chegou ao poder pela porta da fábrica. Pode sair pela tela de um celular
A campanha de 2026 expõe algo maior que uma disputa de fake news: um duelo entre maneiras de fazer política.
Lula representa a fase final de um ciclo. Nikolas Ferreira, o começo de outro.
A diferença aparece nas demandas, na linguagem, na tecnologia e, sobretudo, no tempo de reação.
Para compreender esse choque, proponho pensarmos em quatro escolas políticas. Elas se sobrepõem. Empresários também podem ser chefes regionais, sindicalistas podem dominar a televisão e influenciadores precisam de partidos. O que muda é a principal fonte de poder.
A primeira é a dos chefes territoriais. Ou, se você preferir, pode chamar de coronéis. ACM avô na Bahia. Newton Cardoso em Minas. Paulo Maluf em São Paulo. Eles simbolizam, com suas diferenças, a política das máquinas regionais, dos prefeitos aliados e da liderança pessoal.
Dos tais antigos coronéis às máquinas urbanas, o poder dependia de estruturas que mediavam o acesso ao eleitor.
A segunda é a da organização de massas. Lula despontou nas greves do ABC, em 1978, ajudou a fundar o PT em 1980 e disputou a Presidência pela primeira vez em 1989. Seu ambiente reunia sindicatos, movimentos sociais, comunidades religiosas, militância estudantil e intelectuais.
José Dirceu e Marina Silva também se formaram nesse universo, embora com trajetórias diferentes.
Brizola pertence a uma tradição anterior, a do trabalhismo. Governava o Rio Grande do Sul em 1959 e mobilizou o país pelo rádio na Legalidade, em 1961. Em 1989, disputou com Lula a liderança da esquerda. Ambos, porém, compreenderam muito bem o poder da mobilização popular e do discurso.
A terceira escola ganhou…
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