Uma jubarte ficou horas junto ao filhote morto e observação rara documenta comportamento pós-morte em baleias de barbatana
Filmagem na Gold Coast registra fêmea tocando e permanecendo junto a filhote presumidamente natimorto em um raro caso científico
Uma cena registrada a cerca de 1 quilômetro da Gold Coast, na Austrália, revelou um comportamento raramente descrito em grandes baleias. O comportamento pós-morte foi observado em uma fêmea de jubarte (Megaptera novaeangliae) que permaneceu perto de um filhote presumidamente natimorto, tocando-o e mantendo proximidade por horas. O caso é considerado a primeira documentação científica detalhada desse tipo de resposta materna na espécie.
Como o comportamento pós-morte começou a ser observado?
O episódio ocorreu em 17 de julho de 2025, próximo ao recife de Palm Beach. Por volta das 8h, duas jubartes adultas, com aproximadamente 12 a 13 metros, foram vistas movimentando-se lentamente na mesma área. Uma delas, posteriormente interpretada como a mãe, realizava mergulhos curtos e retornava repetidamente ao mesmo ponto.
Pouco depois, uma membrana amniótica apareceu na superfície, indicando que um parto provavelmente havia ocorrido entre 8h e 8h30. Filmagens subaquáticas registradas mais tarde mostraram um pequeno filhote imóvel no fundo, sem sinais visíveis de respiração ou movimento. Seu comprimento foi estimado em menos de 4 metros.
O que a mãe fez junto ao filhote morto?
A fêmea aproximou-se repetidas vezes do filhote e tocou seu corpo com a cabeça e com a nadadeira peitoral. Em alguns momentos, permaneceu imóvel ao lado dele, posicionada frente a frente, enquanto uma segunda jubarte adulta, interpretada como possível escolta, continuava nas proximidades.
A observação direta prosseguiu até aproximadamente 10h. Nos dois dias seguintes, duas jubartes adultas também foram relatadas na mesma região por observadores em terra, embora os pesquisadores não tenham conseguido confirmar que eram exatamente os mesmos indivíduos.
- Filhote encontrado imóvel no fundo;
- Contato com cabeça e nadadeira peitoral;
- Permanência repetida ao lado do corpo;
- Mergulhos curtos no mesmo ponto;
- Possível permanência na área nos dias seguintes.
Este vídeo mostra diretamente a jubarte junto ao filhote morto registrado no estudo.
Por que o comportamento pós-morte é tão raro em baleias de barbatana?
Respostas a indivíduos mortos são muito mais documentadas entre odontocetos, grupo que inclui golfinhos, orcas e baleias-piloto. Nesses animais, mães já foram vistas carregando, empurrando ou tentando manter filhotes mortos na superfície durante horas ou dias.
Nos misticetos, como jubartes e baleias-francas, registros são muito menos frequentes. Uma possível explicação é física: filhotes recém-nascidos de baleias de barbatana podem afundar rapidamente após a morte por ainda possuírem pouca camada de gordura, reduzindo as oportunidades de observação.
O estudo prova que a jubarte estava sentindo luto?
O estudo publicado na Discover Animals descreve o episódio como comportamento de atenção pós-morte e resposta epimelética, termos usados para ações de cuidado ou atenção dirigidas a indivíduos feridos, moribundos ou mortos.
Os autores consideram possível que o comportamento esteja associado a vínculo materno e até a uma resposta semelhante ao luto, mas evitam afirmar que a baleia experimentava uma emoção humana específica. As mesmas ações poderiam refletir apego, confusão, cuidado instintivo ou outras respostas ainda impossíveis de distinguir apenas pela observação.

Por que a mãe não tentou levar o filhote à superfície?
Essa diferença chamou atenção porque golfinhos e orcas frequentemente empurram ou sustentam filhotes mortos junto à superfície. No caso australiano, a jubarte aproximava-se do corpo no fundo, mas não foi vista tentando erguê-lo durante o período documentado.
Os pesquisadores levantam várias possibilidades. A fêmea poderia ter percebido que o filhote não respondia, poderia não conseguir levantá-lo naquela posição ou simplesmente apresentar uma estratégia diferente daquela observada em odontocetos. Nenhuma dessas interpretações pôde ser confirmada diretamente.
O que esse comportamento pós-morte revela sobre as jubartes?
O caso reforça que vínculos entre mães e filhotes podem continuar influenciando o comportamento mesmo depois da morte do recém-nascido. Jubartes já são conhecidas por forte investimento materno, e mães normalmente sustentam e acompanham seus filhotes durante os primeiros meses de vida.
Ainda assim, um único episódio não permite generalizar o comportamento para toda a espécie. O principal valor científico está em documentar detalhadamente uma resposta que pode passar despercebida no oceano. Novas observações serão necessárias para entender com que frequência ela ocorre e quais fatores determinam sua duração.
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