Ex-prefeito condenado por agredir namorada segue no PSB após anúncio de expulsão
João Campos disse em debate que já determinou a expulsão, mas TSE ainda registra Tyrone como dirigente ativo do partido na Paraíba
O ex-prefeito de Sousa (PB) Fábio Tyrone, condenado por agredir a ex-namorada, continua formalmente vinculado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) mesmo após o presidente nacional da sigla e candidato a governador de Pernambuco, João Campos, afirmar, no debate desta terça-feira, 29, que já havia determinado sua expulsão.
Nesta quarta-feira, 30, o sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda registra Tyrone como integrante ativo da direção estadual da sigla na Paraíba, no cargo de segundo-secretário de Finanças. Tyrone é ainda candidato a deputado federal pelo estado.
O caso do ex-prefeito foi levado ao debate entre candidatos a governador de Pernambuco, na terça, pela atual governadora, Raquel Lyra (PSD).
“Tem uma pergunta que eu preciso fazer para o senhor. Em nome de uma mulher que foi agredida por Fábio Tyrone, em 2018. O nome dela se chama Myriam Gadelha. Ela foi espancada por ele. Ele é réu confesso e foi julgado e condenado pela Justiça, e ele hoje é candidato a deputado federal pelo seu partido. Ele é um agressor contumaz”, disse a governadora.
“Em 2023, o PSB Mulher pediu que ele fosse expulso do partido. Neste ano, a deputada federal Tabata Amaral também veio a público pedindo a expulsão dele. Mas, em vez disso, você recebeu ele aqui no Recife. Tirou foto. Ele é candidato, e você deu 1,5 milhão de reais de fundo eleitoral, 400 vezes mais do que qualquer outro candidato na Paraíba, como presidente nacional do partido. A pergunta que ela faz é: Por que você protege um agressor de mulheres?”.
João Campos respondeu: “Candidata, esse caso estava fechado antes de eu assumir a presidência do partido. Foi reaberto por iniciativa da minha esposa, a deputada Tabata. Determinei de imediato que fosse apurado e, há alguns dias, eu já determinei a expulsão desta pessoa do PSB. O Conselho de Ética do PSB irá expulsá-lo do partido”.
O Antagonista perguntou ao PSB porque Tyrone segue filiado mesmo com o anúncio de João Campos. A reportagem será atualizada se houver retorno.
Relembre o caso
O caso de Tyrone envolve agressões contra a advogada Myriam Gadelha, então namorada dele, em dezembro de 2018. Ele a agrediu com tapas, chutes e um soco após uma discussão motivada por ciúmes.
Em abril de 2024, a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba informou, manteve por unanimidade a condenação de Tyrone pela agressão. A pena era de um ano e quatro meses de detenção, em regime aberto; o TJ-PB retirou apenas a indenização de 15 mil reais que havia sido fixada em primeiro grau.
Em março deste ano, o ministro Messod Azulay Neto, do Superior Tribunal de Justiça, reduziu a pena para 10 meses e 25 dias. A decisão não apagou a condenação por agressão, apenas alterou a dosimetria da pena.
O ministro afirmou não desconhecer “a gravidade dos delitos praticados contra a mulher, especialmente em contexto de violência doméstica”, mas apontou a existência de “constrangimento ilegal” por uma “elevação desproporcional da pena-base”.
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