Rodolfo Borges na Crusoé: O eterno retorno de Renato Gaúcho
"Você quer isso mais uma vez e por incontáveis vezes?", pergunta o demônio de Nietzsche ao treinador que comanda o Grêmio pela quinta vez
Não há ninguém que tenha treinado o Grêmio mais vezes do que Renato Gaúcho.
Ídolo do clube como jogador, o treinador já comandou o tricolor de Porto Alegre em cinco situações diferentes, desde 2010 até agora, quando ele volta a assumir a equipe como técnico.
Na primeira passagem, ele pediu para sair e se despediu chorando. Em 2013, seu contrato não foi renovado, por desentendimento salarial, e ele se despediu de forma amigável, com um “até breve”.
Em sua passagem mais longa pelo clube, de 2016 a 2021, o Grêmio conquistou a terceira Copa Libertadores da América, e foi Renato quem decidiu deixar o cargo mais uma vez, por desentendimento com um dirigente, assim como na quarta, de 2022 a 2024.
Ou seja, foi o próprio treinador que pediu para sair em três das quatro despedidas do Grêmio, e mesmo na que deixou o clube por desentendimento salarial, Renato deu um “até breve”.
E o Grêmio não é sequer o clube que Renato treinou mais vezes, apesar de ser aquele que comandou por mais jogos (mais de 500). O técnico passou pelo Fluminense sete vezes desde 1996, pelo qual somou menos de 300 jogos, em passagens mais curtas.
Eterno retorno
Nietzsche é famoso, entre outras coisas, por ter popularizado a teoria ancestral do “eterno retorno”, segundo a qual a vida se repete da mesma forma, com as mesmas felicidades e dores, infinitamente.
O tema perpassa Assim falou Zaratustra, mas foi sintetizado pelo filósofo alemão em um aforismo intitulado “O maior dos pesos” em A Gaia Ciência.
“E se um dia, ou uma noite, um demônio lhe aparecesse furtivamente em sua mais desolada solidão e dissesse: ‘Esta vida, como você a está vivendo e já viveu, você terá de viver mais uma vez e por incontáveis vezes; e nada haverá de novo nela, mas cada dor e cada prazer e cada suspiro e pensamento, e…
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