Talibãs da imprensa tumultuam negócios para atingir Mendonça

03.11.2026

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O Antagonista
Talibãs da imprensa tumultuam negócios para atingir Mendonça
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Ricardo Kertzman
6 minutos de leitura 18.09.2026 08:00 comentários
Análise

Talibãs da imprensa tumultuam negócios para atingir Mendonça

As matérias torcem palavras, dados e fatos a fim de transmitir aparência de ilegalidade àquilo que, até aqui, não foi demonstrado como ilegal

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Ricardo Kertzman
6 minutos de leitura 18.09.2026 08:00 comentários 1
Talibãs da imprensa tumultuam negócios para atingir Mendonça
Foto: Gustavo Moreno/STF

Não bastasse a sandice e a irresponsabilidade vistas nos últimos dias por parte de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal – justamente, aliás, de onde deveriam vir equilíbrio, serenidade e zelo -, agora, porta-vozes de ilações, meias verdades e desinformações claras, na tentativa de atingir o ministro André Mendonça, partiram para uma campanha aberta contra o Iter, instituto fundado pelo magistrado, que mantém contratos regulares com grandes empresas brasileiras.

Particularmente, não considero adequado que um ministro do STF mantenha atividade comercial paralela. Para mim, um cargo dessa dimensão exige não apenas dedicação e concentração absolutas e exclusivas, mas a certeza de que jamais haverá confusão entre a função pública e interesses privados. O bônus de ocupar um cargo vitalício, cercado de benesses e com direito à última palavra, exige, repito, a meu ver, o ônus de abdicar de quaisquer outras atividades profissionais.

Uma série de reportagens truncadas, concentradas em dois ou três veículos notórios pelo adesismo às causas do lulopetismo, assinadas por igualmente notórios rapapés de autoridades das quais dizem-se – publicamente e sem pudor – íntimos, tenta reforçar a tese de alguns ministros de que Mendonça agia ilegalmente por meio de seu instituto. E, para isso, atinge de forma desproporcional, leviana e prejudicial negócios inteiramente lícitos – pelo menos até que se prove o contrário.

Gilmar pode?

O Iter – Instituto de Educação, Tecnologia e Inovação -, em tese e na essência, ao menos em seu propósito, não é diferente do IDP, festejado instituto que realiza, junto com outras instituições, o igualmente festejado “Gilmarpalooza”, em Lisboa, geralmente patrocinado por empresas renomadas, sem que, contudo, neste caso, os talibãs da imprensa enxerguem problemas de ordem legal ou ética. Sabem como é, né? Há ministros de estimação e há ministros que ainda não são de estimação.

Rival, portanto – também nessa seara -, de Gilmar Mendes, Mendonça, depois de espalhar craca no ventilador e desnudar para o notório público as relações nada triviais entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, encontra-se sob fogo cerrado, tendo como vidraça o Iter. Há uma tentativa evidente, nas narrativas construídas, de colocar tudo no mesmo balaio, como uma espécie de equivalência moral das relações diretas de outros ministros com o ex-banqueiro.

Só que os fatos, até então conhecidos, não são equivalentes. E o jornalismo sério deveria começar por aí. No caso do Xandão, o escritório da esposa assinou diretamente com o Banco Master um contrato completamente atípico e genérico de R$ 130 milhões. Mais: documentos apreendidos pela Polícia Federal e revelados pela imprensa mostraram que o próprio Moraes fez alterações na minuta antes da assinatura. Sem falar nas trocas de mensagens entre o ministro e Daniel Vorcaro.

Alhos, bugalhos e reputações

Com Dias Toffoli, novamente, há uma relação empresarial concreta, embora indireta. A empresa familiar do ministro – da qual era sócio – vendeu metade de sua participação em um resort a um fundo que, posteriormente, apareceu ligado ao universo empresarial de Vorcaro. Tudo isso tendo o próprio Toffoli como relator do caso Master no Supremo, adotando medidas pouco usuais, que acabaram obrigando-o a deixar a relatoria, que foi, então, transmitida a André Mendonça.

Nada disso, por si só, obviamente, prova qualquer crime de Moraes ou de Toffoli. E é justamente esse o ponto! Se nem relações comerciais objetivas e documentadas permitem saltar automaticamente para a conclusão de ilegalidade, como tentar transformar em escândalo midiático uma sequência de relações indiretas para atingir Mendonça? Uma coisa é investigar e noticiar fatos objetivos. Outra, bem diferente, é fabricar equivalências mais fajutas que uma nota de três de reais.

As matérias torcem e retorcem palavras, dados e fatos a fim de transmitir aparência de ilegalidade àquilo que, até aqui, não foi demonstrado como ilegal. Misturaram alhos com bugalhos e fizeram mais ou menos como Flávio Dino durante a sessão bizarra da terça-feira, 15: gritou, acusou, não apresentou conteúdo para sustentar as próprias insinuações e foi embora declarando vitória. Ou melhor, pedindo vista. Empresas com negócios legais passaram a dividir manchetes suspeitas.

A conta sobra para quem produz

Se tudo se resumisse à briga fratricida suprema, mesmo envolvendo indevidamente empresas, pessoas e negócios, ainda que errado, vá lá. O problema é que esse tipo de desinformação travestida de jornalismo causa, para além de danos de imagem, danos financeiros reais. Num país com juros acachapantes e todas as dificuldades possíveis para manter uma atividade empresarial, captação de recursos, crédito, fusões e aquisições são fundamentais para a saúde financeira de uma companhia.

No momento em que notícias dessa natureza chegam às áreas de compliance e análise de risco e de crédito de instituições financeiras, uma luz amarela começa a surgir. Não é preciso condenação e não é preciso processo. Aliás, muitas vezes, não é preciso nem mesmo investigação. Basta o nome aparecer repetidamente ao lado das palavras “STF”, “Master”, “Vorcaro”, “investigação” e “suspeita” para que alguém, a milhares de quilômetros dos fatos, simplesmente aperte o freio.

No mercado de capitais, onde parte dessas empresas negocia ações e debêntures, imagem arranhada significa menos investidores, dinheiro mais caro e negócios mais difíceis. No mercado externo, que não acompanha nossas maluquices de perto e analisa sem muita profundidade cada uma dessas situações, ruídos assim transformam-se em batidão de baile funk, afugentando investidores que não têm tempo, disposição ou obrigação de compreender quem brigou com quem no Supremo.

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Ricardo Kertzman

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Comentários (1)

Sandra

18.09.2026 13:48

O maior problema são as nossas leis, investigados ou suspeitos, nunca deveriam ter o benefício de continuar atuando ou se candidatando a nada até que ao final fosse absolvido. Com certeza todas as matérias com informações incertas são pagas com dinheiro ou outros benefícios, o brasileiro se vende por pouco, vide as eleições que sempre aparece alguém oferecendo dinheiro em troca de votos, e em outras esferas tem o Macallan


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