Nuvens finalmente abriram sobre um dos vulcões mais ativos da África e revelaram rios de lava fresca descendo pela montanha
Imagem do Landsat 8 revelou fluxos ativos de lava no Nyamulagira durante uma rara abertura entre as nuvens em fevereiro de 2025
Durante grande parte do tempo, nuvens e gases escondem do espaço a atividade vulcânica nas montanhas Virunga, no leste da República Democrática do Congo. Em 20 de fevereiro de 2025, porém, uma abertura relativamente limpa permitiu ao Landsat 8 observar o vulcão Nyamulagira em plena atividade, revelando fluxos recentes de lava e fortes sinais térmicos no cume e nas encostas.
Por que o vulcão Nyamulagira estava coberto por lava fresca?
Nyamulagira, também chamado Nyamuragira, é um enorme vulcão-escudo basáltico situado no sistema do Rift da África Oriental. A abertura progressiva da crosta nessa região facilita a ascensão de magma, alimentando uma área vulcânica excepcionalmente ativa que inclui também o vizinho Nyiragongo.
Quando o Landsat 8 passou sobre a região em fevereiro de 2025, a erupção já estava em andamento. A imagem mostrou derrames escuros partindo da região do cume, principalmente em direção ao oeste, enquanto sinais infravermelhos indicavam superfícies suficientemente quentes para corresponder a lava ativa ou muito recente.
Como o vulcão Nyamulagira apareceu na imagem do Landsat?
O Operational Land Imager, ou OLI, do Landsat 8 registrou a cena em 20 de fevereiro. A NASA combinou a imagem em cores naturais com informação infravermelha, permitindo distinguir áreas aquecidas mesmo quando uma superfície de lava começava a escurecer e perder o brilho visível característico do material recém-extrudido.
Um sinal térmico apareceu próximo ao extremo de um fluxo direcionado para sudoeste, cerca de 3,3 quilômetros a partir da borda oeste da cratera. No cume, outra anomalia térmica era compatível com intensa atividade dentro da caldeira, onde lava também vinha sendo detectada por observações de satélite.
- Fluxos recentes principalmente a oeste do cume;
- Anomalias térmicas dentro da caldeira;
- Fluxo sudoeste com cerca de 3,3 quilômetros;
- Imagem obtida pelo Landsat 8 em 20 de fevereiro de 2025.
Este documentário mostra o Nyamulagira e o vizinho Nyiragongo e explica os riscos associados ao vulcanismo da região:
Por que tanta lava pode sair dessa enorme montanha?
Um vulcão-escudo cresce sobretudo pela acumulação repetida de lava relativamente fluida, formando encostas amplas e suaves em comparação com vulcões mais íngremes. Nyamulagira possui cerca de 3.058 metros de altitude e uma caldeira no cume com aproximadamente 2 por 2,3 quilômetros.
As erupções não ficam restritas à caldeira. Fissuras podem abrir-se nos flancos e liberar lava a quilômetros do cume. O Smithsonian registra que derrames associados ao vulcão cobriram aproximadamente 1.500 quilômetros quadrados do ramo ocidental do Rift da África Oriental ao longo de sua história eruptiva.
Por que as nuvens dificultam tanto acompanhar essas erupções?
A região possui elevada umidade e cobertura frequente de nuvens, enquanto as próprias emissões vulcânicas podem esconder partes do terreno. Por isso, imagens ópticas nem sempre conseguem mostrar claramente o cume e os fluxos, tornando especialmente valiosas as ocasiões em que a atmosfera oferece uma janela de observação mais limpa.
A NASA Earth Observatory destacou justamente essa condição ao divulgar a cena de fevereiro de 2025. Dias depois, imagens voltaram a encontrar áreas encobertas, embora sensores continuassem identificando anomalias térmicas ligadas à atividade eruptiva.

O que os números mostram sobre o vulcão Nyamulagira?
Nyamulagira está entre os vulcões mais ativos do continente. Mais de 40 erupções foram documentadas desde o fim do século XIX, envolvendo tanto atividade na região do cume quanto fissuras abertas em suas extensas encostas.
Junto com Nyiragongo, ele responde por cerca de 40% das erupções históricas registradas na África, segundo a NASA. Apesar da proximidade, os dois vulcões apresentam formas bastante diferentes: Nyamulagira possui perfil largo e suave, enquanto Nyiragongo é mais íngreme.
Por que observar Nyamulagira do espaço é tão importante?
O monitoramento orbital permite acompanhar um vulcão localizado numa região onde condições meteorológicas, relevo e dificuldades de acesso podem limitar observações contínuas em campo. Sensores ópticos e térmicos ajudam a reconhecer novos fluxos, mudanças no cume e áreas que permanecem quentes durante uma erupção.
A imagem de fevereiro de 2025 não mostrou apenas uma paisagem impressionante. Ela forneceu um registro objetivo da distribuição da lava naquele momento e demonstrou como pequenas janelas sem nuvens podem revelar mudanças rápidas em um dos sistemas vulcânicos mais ativos do continente africano.
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