Viana pede afastamento de Alcolumbre após fechamento do plenário do Senado
Segundo o senador e candidato à reeleição, o diálogo com o presidente da Casa "acabou no momento em que a porta foi trancada"
O senador e candidato à reeleição Carlos Viana (PSD-MG) defendeu, na noite de quarta-feira, 16, o “afastamento imediato“ de Davi Alcolumbre (União-AP) do cargo de presidente do Senado.
O parlamentar argumenta a Casa, sob o comando do senador do União Brasil, está tratando com “omissão” e “covardia” a crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF), inclusive com o fechamento do plenário, impedindo parlamentares de se manifestarem no espaço.
O STF passa por uma crise institucional gerada com o levantamento do sigilo, pelo ministro André Mendonça, do relatório da Polícia Federal (PF) contendo mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, ao ministro Alexandre de Moraes.
Na terça-feira, 15, o plenário do STF deu início ao julgamento do processo que contém o relatório. Um pedido de vista de Flávio Dino, porém, suspendeu o julgamento. A sessão foi marcada por bate-bocas entre ministros.
O Senado é responsável pela análise e votação dos pedidos de impeachment apresentados contra ministros do Supremo, mas, em sua história, nunca aprovou nenhum.
Viana fez a defesa do afastamento de Alcolumbre por meio de publicação no X. “Compareci hoje ao Senado Federal para exercer o mandato que o povo de Minas Gerais me confiou. Encontrei todas as portas do plenário trancadas. Os servidores da Casa me informaram sobre a determinação: a ordem de manter o plenário fechado partiu da Presidência do Senado, exercida por Davi Alcolumbre“, iniciou.
“NENHUM SERVIDOR ESTÁ AUTORIZADO A ABRIR. NENHUM SENADOR ESTÁ AUTORIZADO A ENTRAR. Há vinte dias tento o diálogo com o presidente Davi Alcolumbre. Levei à Presidência as questões mais graves que esta Casa enfrenta. Dei prazo. Protocolei. Esperei. A resposta veio hoje, na forma de uma porta trancada”.
O parlamentar prosseguiu: “O PRESIDENTE DO SENADO NÃO DIALOGA. ELE TRANCA. Porta fechada é medo de ser exposto. Ele sabe que há senadores que não aceitam a omissão e a covardia com que esta Casa vem tratando o que acontece no Supremo Tribunal Federal. Ontem o Supremo se expôs ao país. Ministro acusando ministro. Parentes de ministros no meio dos interesses”.
Viana ainda ressaltou que, conforme a Constituição, “quem julga ministro do Supremo é o Senado Federal. Os pedidos de impeachment estão protocolados. Cabe ao presidente do Senado dar andamento a eles”.
Entretanto, diz o senador, Alcolumbre “escolheu fechar o plenário”. “Davi Alcolumbre age como se fosse dono desta Casa. Não é. Ele ocupa temporariamente uma cadeira que pertence ao povo brasileiro. Um presidente que tranca o plenário para não ser cobrado não tem condições de seguir presidindo o Senado. DAVI ALCOLUMBRE PRECISA SER AFASTADO IMEDIATAMENTE DA PRESIDÊNCIA DO SENADO“.
O senador pontuou que a medida para apurar a conduta do presidente do Senado já está formalizada, nos termos do Código de Ética da Casa.
“E eu pergunto: o Conselho de Ética do Senado existe ou não existe? Se existe, que se reúna. Se não se reúne, que o Brasil saiba quem o impede. A partir de hoje, não há mais o que negociar. O diálogo acabou no momento em que a porta foi trancada”. O Senado precisa voltar a ser Senado, concluiu.
Tereza Cristina cobra reação
Na quarta também, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou que o Judiciário está “na iminência de uma implosão”, por causa da crise institucional em curso no Supremo Tribunal Federal, e cobrou uma reação do Senado diante dessa situação.
Ela ressaltou que a sessão de terça no STF foi marcada por “show de soberba, desrespeito e deboche“.
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