Pneus cheios de concreto e jogados no mar em 1978 viraram um recife artificial para peixes, lagostas e diversas outras espécies marinhas
A ideia de usar objetos descartados para concentrar animais marinhos não era nova.
Em 1978, estruturas feitas com pneus e concreto começaram a ser colocadas no fundo do mar em Yarmouth, Massachusetts, nos Estados Unidos, como parte de um projeto de criação de recifes artificiais.
Décadas depois, o local se transformou em um habitat ocupado por diferentes espécies marinhas, mostrando como uma intervenção humana pode produzir resultados completamente diferentes dependendo de como é planejada.
Por que pneus foram colocados no fundo do oceano?
A ideia de usar objetos descartados para concentrar animais marinhos não era nova. Pescadores norte-americanos já utilizavam madeira e redes desde o século 19 para criar pontos de concentração de peixes.
Na década de 1970, essa lógica passou a ser aplicada de maneira planejada. Estruturas de concreto e pneus seriam usadas para criar superfícies onde organismos poderiam se fixar e onde animais encontrariam abrigo.
O que aconteceu com o recife artificial de Yarmouth?
O projeto iniciado em 1978 continuou crescendo ao longo das décadas.
Segundo a CNN Brasil, mais de 17 mil toneladas de materiais já foram posicionadas na região por equipes da Guarda Costeira dos Estados Unidos, do governo de Massachusetts e do Departamento de Recursos Naturais de Yarmouth.
O local também passou a ser acompanhado por mergulhadores equipados com câmeras. O monitoramento registrou uma diversidade surpreendente de animais vivendo ao redor das estruturas.

Quais animais passaram a ocupar o local?
As estruturas artificiais acabaram funcionando como pontos de abrigo e concentração para diferentes espécies. Entre os animais registrados estão:
O resultado transformou Yarmouth em um exemplo de como recifes artificiais podem modificar o ambiente submarino quando recebem planejamento, acompanhamento e manutenção adequados.
Por que outro projeto de recifes artificiais com pneus acabou em desastre?
A mesma estratégia teve um resultado completamente diferente na Flórida. No chamado recife de Osborne, mais de 2 milhões de pneus foram lançados ao mar, presos por hastes finas de aço.
As estruturas se soltaram e foram espalhadas pelas correntes marítimas por uma área superior a 15 hectares. Em vez de criar um habitat eficiente, os pneus continuaram se deslocando e liberando resíduos considerados prejudiciais ao ambiente.
A partir de 2007, equipes do Exército americano começaram a retirá-los, mas até novembro de 2019 cerca de dois terços do material original ainda permaneciam no mar.
A diferença entre os dois casos revela um detalhe fundamental: simplesmente colocar resíduos no oceano não transforma automaticamente o lixo em recife. O planejamento, a estabilidade das estruturas e o acompanhamento ambiental são determinantes para o resultado.
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