Figurinha de Trump e cobranças: PF detalha conversas de Flávio com Vorcaro
Relatório reúne cronologia de mensagens, ligações e encontros entre senador e dono do Banco Master
Relatório da Polícia Federal aponta que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atuou diretamente nas negociações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar recursos para a produção de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. O documento reúne mensagens, ligações e encontros entre os dois e foi tornado público após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo dos autos.
Segundo a PF, Flávio não aparece apenas como intermediário nas tratativas. O senador teria acompanhado os pagamentos, cobrado repasses atrasados e participado de reuniões com Vorcaro durante a produção do filme.
A investigação também identificou uma coincidência entre uma ligação de Flávio para Vorcaro, em 16 de setembro de 2025, e a última remessa de recursos localizada pelo Coaf para o fundo Havengate, nos Estados Unidos. O pagamento foi de US$ 1,66 milhão.
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As cobranças de Flávio
As primeiras tratativas descritas no relatório começaram no fim de 2024, quando o empresário Thiago Miranda aproximou Flávio de Vorcaro.
Em dezembro daquele ano, ele marcou uma reunião entre os dois para tratar do “filme do presidente” e depois enviou ao banqueiro um contrato com o orçamento previsto de US$ 24 milhões.
Em fevereiro de 2025, após dificuldades para realizar os pagamentos, uma transferência de US$ 2 milhões foi feita pela Entre Investimentos, empresa ligada a Vorcaro, para o fundo Havengate. A documentação enviada a Vorcaro indicava que o valor seria destinado ao filme.
A partir de agosto, Flávio passou a aparecer diretamente nas conversas com o ex-banqueiro.
Em 20 de agosto, os dois combinaram um encontro. Flávio respondeu com uma figurinha de Donald Trump e, mais tarde, avisou: “A caminho”.
Para a PF, a sequência indica que houve um encontro presencial.
Em setembro, Flávio cobrou novamente os pagamentos. Segundo a investigação, ele demonstrou preocupação com a possibilidade de a produção não conseguir pagar o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Vorcaro pediu desculpas e disse que tentaria resolver a situação no dia seguinte.
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“Irmão, estou e estarei contigo sempre”
A PF identificou novos contatos entre os dois nas semanas seguintes.
Em 16 de setembro, além da ligação telefônica entre Flávio e Vorcaro, houve a transferência de US$ 1,66 milhão para a Havengate. Em outubro, Flávio voltou a cobrar o banqueiro e disse que as filmagens estavam no limite do orçamento.
No mesmo período, Vorcaro informou que havia liberado outra parcela. Flávio então o convidou para um jantar em São Paulo com Caviezel e Nowrasteh. Dias depois, integrantes da produção voltaram a cobrar o banqueiro porque os pagamentos não teriam chegado aos destinatários no exterior.
Em 7 de novembro, Flávio enviou a Vorcaro um vídeo das filmagens e agradeceu pelo apoio:
“Tá perdendo, irmão! Tudo isso só está sendo possível por causa de vc!”.
Nove dias depois, voltou a procurá-lo e escreveu:
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.
Flávio já admitiu ter pedido recursos a Vorcaro para o filme, após inicialmente negar a solicitação. O senador afirma que os contatos faziam parte de uma tentativa privada de captação de patrocínio e nega ter recebido dinheiro diretamente ou cometido irregularidades.
Em maio deste ano, também veio a público que Flávio se encontrou com Vorcaro enquanto o ex-banqueiro estava em prisão domiciliar, usando tornozeleira eletrônica. Segundo o senador, a reunião serviu para “botar ponto final na questão” do filme.
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