“Dark Horse”: PF aponta Frias como “participante ativo” de engrenagem financeira
Segundo a corporação, "circunstância faz com que ele transcenda a condição de mero autor de emendas posteriormente desviadas"
A Polícia Federal (PF) apontou o deputado federal Mario Frias (PL-SP) como “participante ativo da engrenagem financeira sob investigação” no inquérito que apura o uso de recursos públicos e movimentações ligadas à produtora do filme “Dark Horse“, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O apontamento da PF consta na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação da Polícia Federal realizada nesta quinta-feira, 10.
“A terceira constatação decorre dos registros financeiros que demonstram a remessa, por Mário Frias, de valores à empresa Go Up em montante materialmente incompatível tanto com os rendimentos por ele declarados quanto com os créditos identificados em suas contas bancárias comunicadas”, diz a PF.
“Essa circunstância faz com que ele transcenda a condição de mero autor de emendas parlamentares posteriormente desviadas por terceiros, e coloca o parlamentar federal como participante ativo da engrenagem financeira sob investigação realizando movimentações incompatíveis com sua capacidade econômica conhecida e mantendo relações patrimoniais com integrantes do mesmo núcleo já identificado nas demais frentes investigativas”.
A PF conclui que não há dois esquemas distintos – um relacionado ao desvio de recursos públicos no âmbito das emendas parlamentares; e outro referente às movimentações financeiras de pessoas físicas e jurídicas vinculadas ao núcleo investigado, baseadas, na maior parte, em valores repassados ao ICB em decorrência do contrato firmado com a prefeitura de São Paulo, objeto da investigação no âmbito da polícia judiciária estadual.
O ICB é comandado por Karina da Gama, que também comanda a Go Up, produtora do filme “Dark Horse”.
“Em verdade, há fortes indícios de uma única organização criminosa, estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas, na qual o Deputado Federal Mário Frias figura como agente central“, afirma a PF.
A operação da PF
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta a Operação Make Up para apurar suposto desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares repassadas, por meio de termo de fomento, para a produção de “Dark Horse“. Karina Gama e Mario Frias são alvos da ação.
Ao todo, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão, expedidos por Dino, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.
As investigações apontam a existência de uma “organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados”, afirmou a PF, em comunicado.
As tentativas de dissimular os desvios teriam se estendidos até julho deste ano.
“Levantamentos financeiros identificaram, ainda, movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado”, continuou a PF.
A Operação Make Up investiga os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
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