Lava do Kīlauea encontrou o oceano por décadas e acrescentou quase 200 hectares de terra nova à costa do Havaí
Entradas repetidas de lava no Pacífico construíram deltas vulcânicos que avançaram a linha costeira e também sofreram colapsos
Durante a longa erupção iniciada em 1983, fluxos do Kīlauea alcançaram repetidamente o oceano na ilha do Havaí e modificaram sua linha costeira. A NASA calculou que, entre novembro de 1986 e dezembro de 2009, essas entradas de lava criaram 192,3 hectares, ou 475 acres, de nova terra. O processo não era simplesmente lava “secando” na água: envolvia deltas vulcânicos construídos sobre encostas submarinas instáveis.
Como o Kīlauea conseguiu acrescentar terra nova à ilha?
Nos primeiros anos da erupção de Puʻuʻōʻō, entre 1983 e 1986, os fluxos eram predominantemente de lava ʻaʻā e não alcançavam o oceano. A situação mudou em 1986, quando a atividade migrou para Kupaianaha e passou a produzir fluxos quase contínuos de pāhoehoe.
Tubos de lava isolavam termicamente o material derretido e permitiam que ele percorresse grandes distâncias sem esfriar completamente. Em 28 de novembro de 1986, a lava chegou ao mar pela primeira vez nessa fase da erupção e passou a alimentar sucessivas entradas oceânicas.
Leia também: O maior polvo do planeta nasce de um ovo do tamanho de um grão de arroz e pode terminar com braços de 4 metros
O que acontecia quando a lava chegava ao oceano?
Quando o material incandescente alcançava a água, parte da água do mar era rapidamente vaporizada, enquanto a lava esfriava e se fragmentava. Com entradas persistentes, rocha vulcânica, areia negra, lava submarina e novos derrames se acumulavam junto à costa, formando deltas que avançavam sobre o mar.
Esse crescimento ocorreu repetidamente durante décadas. O USGS informou que, desde o fim de 1986, lava chegou ao oceano durante grande parte do tempo de atividade, modificando significativamente a costa sudeste da ilha.
- Tubos de lava transportavam material quente até perto da costa.
- A entrada no mar gerava vapor e fragmentação da lava.
- Derrames sucessivos acumulavam rocha sobre a plataforma costeira.
- Deltas de lava avançavam progressivamente sobre o oceano.
- Partes desses deltas podiam desabar novamente no mar.
Este vídeo do USGS mostra diretamente uma entrada de lava do Kīlauea no oceano e a grande pluma de vapor formada no contato com a água.
Quanto território o Kīlauea criou entre 1986 e 2009?
A NASA registrou que, entre novembro de 1986 e dezembro de 2009, o Kīlauea havia acrescentado 192,3 hectares de nova terra à costa, equivalentes a aproximadamente 475 acres. A estimativa foi publicada pelo Earth Observatory em 2010 com base em observações da atividade costeira.
O número deve ser entendido como uma medição daquele intervalo específico. Totais publicados em outros anos podem diferir porque a erupção continuou e porque deltas recém-formados não são necessariamente permanentes: porções inteiras podem desabar de volta para o oceano.
Por que a terra recém-formada não era necessariamente permanente?
Os deltas vulcânicos se desenvolvem sobre encostas submarinas compostas por fragmentos de lava, areia negra e outras acumulações pouco estáveis. Conforme o peso aumenta, blocos da borda podem perder sustentação e deslizar abruptamente para águas profundas.
Em maio de 2007, por exemplo, o USGS registrou o desaparecimento de aproximadamente 6,5 hectares de um delta em poucas horas. Esses colapsos também podem expor lava quente, gerar explosões de vapor e produzir ondas perigosas, razão pela qual a aproximação às áreas ativas representa sério risco.

O que os números mostram sobre essa transformação da costa?
A longa erupção de Puʻuʻōʻō, encerrada em 2018, foi uma das mais importantes fases modernas do Kīlauea. Segundo o USGS, ao final dela os fluxos haviam coberto cerca de 144 quilômetros quadrados e acrescentado aproximadamente 177 hectares de terra à costa sudeste considerando a configuração existente ao término da erupção.
A diferença em relação aos 192,3 hectares registrados pela NASA até 2009 não representa necessariamente contradição. Ela reflete períodos de medição distintos e uma costa dinâmica, sujeita tanto à construção por lava quanto à perda de terrenos por colapso e erosão.
| Dado | O que representa |
|---|---|
| 28 de novembro de 1986 | Primeira chegada ao oceano nessa fase eruptiva. |
| 192,3 hectares | Nova terra registrada pela NASA até dezembro de 2009. |
| 6,5 hectares | Área perdida em um colapso de delta em 2007. |
| 177 hectares | Terra nova contabilizada pelo USGS ao fim da erupção em 2018. |
Por que o Kīlauea oferece um exemplo tão claro de construção vulcânica de ilhas?
O caso permite acompanhar praticamente em tempo real um processo que, em escalas geológicas maiores, ajuda a construir ilhas oceânicas. O registro da NASA Earth Observatory documentou por satélite a expansão da costa e mostrou áreas recém-formadas ao lado de fluxos mais antigos.
Ao mesmo tempo, o episódio mostra que essa construção não é linear. Vulcões acrescentam rocha à paisagem, mas gravidade, ondas e colapsos remodelam rapidamente o que acabou de surgir. No Kīlauea, décadas de observação transformaram essa dinâmica em um dos exemplos modernos mais bem documentados de crescimento e recuo de uma costa vulcânica.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)