Toffoli faz campanha para Renan Santos
Decisão inédita do ministro do TSE é tão bizarra que endossa e reforça o discurso antissistema do candidato da Missão à Presidência
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli (à direita na foto) resolveu brilhar na campanha presidencial, e isso obviamente não poderia dar certo.
Numa decisão inédita, confusa, difícil de compreender e justificar, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) resolveu inovar e, ignorando precedentes, suspendeu, por conta própria, a campanha de Renan Santos (Missão) por atraso na indicação de redes sociais.
Pior: a Missão alegou que foi vítima de um problema técnico do TSE, mas o ministro indica nos bastidores que não tem pressa ou disposição para submeter a decisão aos pares.
Não faz sentido
Ao justificar a decisão, Toffoli apontou que o Instagram recomenda o perfil de Renan a partir de uma visita ao perfil do deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP). Basta visitar outros perfis de políticos, como o ex-ministro Fernando Haddad (PT), para perceber que ocorre o mesmo.
Ao endossar a decisão do ministro do TSE, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) disse que os membros da Missão “operam sob a lógica de máfia digital, burlando as nossas regras eleitorais”. O problema é que a deputada falava em seu perfil no X, que não tinha sido declarado ao TSE.
Aliás, diversos políticos não declararam seus perfis de rede social ao tribunal, como foi exposto após a decisão de Toffoli, que, por enquanto, limitou-se a suspender apenas as campanhas de Renan e do inexpressivo Wilson Grassi, candidato à Presidência pelo partido Democrata.
Não sabem o que fazem
Essas duas campanhas não foram suspensas apenas nas redes sociais, como algum desinformado poderia inferir. Renan e Grassi não podem participar de debates e conceder entrevistas como candidatos, o que torna tudo ainda mais bizarro e… favorável ao candidato da Missão.
Ao suspender a campanha de Renan dessa forma, Toffoli endossa e reforça o discurso do candidato à Presidência. Fica a impressão, de fato, que o ministro do TSE tem algo especificamente contra o candidato da Missão, como os membros do partido disseram ao criticar a decisão.
Além de tudo, a suspensão escancara, mais uma vez, a obsessão de alguns ministros do STF com as redes sociais e também a falta de capacidade de entender esses meios de comunicação, que já os levou a tomar medidas irresponsáveis cujas consequências eles nem sequer conseguem calcular.
Mídia espontânea
Apesar de não poder fazer campanha nas redes sociais, pois seus perfis já foram todos derrubados, Renan ganhou uma mídia espontânea no noticiário que não tinha como conseguir sozinho.
Para alguém que não tem tempo de rádio e televisão, é um reforço e tanto, principalmente porque confirma seu discurso antissistema.
Enfim, Toffoli faz campanha para Renan ao suspender a campanha do candidato. Essa consequência involuntária invertida dá a exata medida da atuação desse ministro no STF.
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