Entre a França e o Reino Unido, três túneis paralelos percorrem cerca de 50 quilômetros e permanecem enterrados em média 40 metros abaixo do fundo do mar durante uma travessia submarina de 37 quilômetros
Duas galerias ferroviárias e um túnel central de serviço formam uma ligação subterrânea projetada para operação, manutenção e emergência
Sob o Canal da Mancha, o Eurotúnel liga Folkestone, no Reino Unido, a Coquelles, na França, por uma infraestrutura formada por três galerias paralelas de aproximadamente 50 quilômetros. Cerca de 37 quilômetros ficam sob o mar, com os túneis escavados, em média, 40 metros abaixo do leito marítimo. Duas galerias recebem os trens, enquanto uma terceira, menor e central, foi projetada especialmente para manutenção, acesso de emergência e evacuação.
Por que o Eurotúnel possui três galerias em vez de apenas uma?
As duas galerias maiores são túneis ferroviários independentes, cada um com uma única via. Em condições normais, cada tubo atende predominantemente um sentido de circulação, recebendo os trens Eurostar, serviços ferroviários de carga e as composições que transportam automóveis e caminhões entre os dois países.
Entre elas existe um túnel de serviço com aproximadamente 4,8 metros de diâmetro. Ele não recebe os trens convencionais: funciona como corredor protegido para equipes técnicas, veículos de manutenção e serviços de emergência. Essa separação permite acessar um problema ferroviário sem depender diretamente da mesma galeria onde ocorreu o incidente.
Como os três túneis foram organizados sob o Canal da Mancha?
Os dois túneis ferroviários possuem aproximadamente 7,6 metros de diâmetro, enquanto a galeria de serviço fica posicionada entre eles. Ao longo da estrutura, passagens transversais conectam os túneis ferroviários ao corredor central aproximadamente a cada 375 metros.
- Dois túneis são destinados ao tráfego ferroviário.
- Uma galeria central atende manutenção e emergências.
- Passagens transversais aparecem aproximadamente a cada 375 metros.
- Portas resistentes ao fogo isolam essas conexões em condições normais.
- Dois grandes cruzamentos permitem transferir trens entre os tubos ferroviários.
O vídeo abaixo explica a arquitetura do Channel Tunnel e mostra como as três galerias, as tuneladoras e os sistemas de segurança foram integrados durante a construção.
Como o Eurotúnel foi escavado simultaneamente pelos dois países?
A construção avançou a partir dos lados britânico e francês, utilizando grandes tuneladoras capazes de cortar a formação geológica sob o Canal. Em vez de abrir uma única passagem e depois começar as demais, diferentes frentes trabalharam de maneira coordenada para acelerar uma obra cuja extensão total de galerias era muito superior aos 50 quilômetros da travessia principal.
Um dos desafios era garantir que máquinas trabalhando em direções opostas chegassem ao mesmo ponto com precisão suficiente. Levantamentos topográficos e sistemas de posicionamento controlaram continuamente direção e inclinação. O encontro das escavações tornou-se um dos momentos simbólicos da obra, pois demonstrou que os alinhamentos calculados em lados diferentes do Canal convergiam corretamente.
Por que o Eurotúnel passa dezenas de metros abaixo do fundo do mar?
O túnel não atravessa diretamente a água. Ele foi escavado dentro das camadas geológicas existentes sob o leito do Canal da Mancha. Manter uma cobertura significativa de rocha acima das galerias cria uma barreira natural entre os túneis e o ambiente marinho, além de permitir aproveitar formações adequadas à escavação subterrânea.
Segundo a Getlink, operadora da infraestrutura, os três túneis têm cerca de 50 quilômetros e aproximadamente 37 quilômetros ficam sob o mar, com profundidade média de escavação de 40 metros abaixo do fundo marítimo. Esse trecho continua sendo uma das mais extensas travessias submarinas ferroviárias existentes.

Como as passagens transversais aumentam a segurança dentro do Eurotúnel?
Caso ocorra uma emergência em um dos túneis ferroviários, as passagens permitem alcançar a galeria de serviço sem percorrer quilômetros pela própria via. Em condições normais, elas permanecem separadas por portas estanques e resistentes ao fogo. A galeria central também é mantida sob sobrepressão para reduzir a entrada de fumaça em caso de incêndio.
| Elemento | Característica |
|---|---|
| Comprimento | Cerca de 50 km |
| Trecho submarino | Cerca de 37 km |
| Galerias principais | Duas ferroviárias e uma de serviço |
| Passagens transversais | Aproximadamente a cada 375 m |
A configuração também facilita manutenção. Existem dois grandes cruzamentos subterrâneos que permitem direcionar uma composição de uma galeria ferroviária para a outra, possibilitando intervenções em determinados trechos sem necessariamente interromper toda a ligação.
O que torna essa travessia subterrânea diferente de um túnel ferroviário comum?
A diferença está na combinação de extensão, ambiente submarino e redundância. Não são apenas dois trilhos atravessando 50 quilômetros: sistemas de energia, drenagem, ventilação, comunicação, sinalização, proteção contra incêndio e milhares de equipamentos precisam permanecer disponíveis durante toda a travessia entre França e Reino Unido.
Essa arquitetura explica por que a terceira galeria é tão importante quanto os dois túneis ferroviários. Invisível para a maioria dos passageiros, ela funciona como uma verdadeira espinha dorsal operacional, permitindo que manutenção, inspeção e resposta a emergências ocorram no interior de uma das ligações subterrâneas mais extraordinárias construídas sob o mar.
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