Única brasileira na lista da ONU Turismo em 2025: a vila da Serra Gaúcha com 48 casarões tombados e o maior conjunto arquitetônico da imigração italiana do país
Os casarões mantêm viva a memória dos primeiros imigrantes italianos
Cidade pequena que estagnou economicamente costuma perder o casario antigo antes de qualquer tombamento. Com Antônio Prado, na Serra Gaúcha, aconteceu o contrário: o isolamento que travou o crescimento preservou intactas as casas de madeira erguidas pelos primeiros imigrantes, e esse acervo levou a vila de pouco mais de 13 mil habitantes a uma lista global da Organização das Nações Unidas (ONU).
Por que a ONU Turismo escolheu uma vila de 13 mil habitantes?
Pelo modo como a comunidade transformou herança cultural em atividade econômica. Conforme a ONU Turismo, o município entrou na lista Best Tourism Villages 2025, que reuniu 52 vilas de dezenas de países e foi anunciada em cerimônia na cidade de Huzhou, na China.
O perfil oficial da vila no programa detalha o que pesou na avaliação. Segundo a ONU Turismo, a cidade se destaca em conservação e promoção do patrimônio cultural, gastronomia e inclusão social, com população de 13.045 habitantes. Para efeito de comparação, a lista daquele ano colocou o município gaúcho ao lado de nomes como Bled, na Eslovênia, Koyasan, no Japão, e Asolo, no norte da Itália, justamente a região de onde partiram os colonos que fundaram a vila.

O que o Iphan tombou no centro histórico da cidade mais italiana do Brasil
Tombou um conjunto inteiro, não prédios isolados. De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o conjunto arquitetônico e urbanístico protegido reúne 48 exemplares de arquitetura popular, a maioria formada por grandes casarões de alvenaria e madeira ornamentados com lambrequins, os recortes decorativos aplicados nos beirais dos telhados.
A Prefeitura reforça o peso do acervo. Conforme a Prefeitura de Antônio Prado, trata-se do maior e mais completo conjunto arquitetônico da colonização italiana no Brasil. As casas se concentram ao redor da praça central e avançam por algumas quadras, o que explica por que o centro serviu de cenário para o filme O Quatrilho, indicado ao Oscar de filme estrangeiro em 1996.

Como a última colônia italiana do Rio Grande do Sul foi formada?
Por famílias vindas sobretudo do Vêneto, no norte da Itália. Segundo a Prefeitura de Antônio Prado, a colônia foi fundada em 1886 e foi a sexta e última das chamadas antigas colônias da imigração italiana no estado, emancipada como município em 1889.
Os imigrantes derrubaram a mata para abrir a vila e ergueram as casas com a madeira retirada ali mesmo, seguindo técnicas construtivas trazidas da Europa. A herança não ficou só nas fachadas: o talian, dialeto formado a partir de falares do norte da Itália em contato com o português, ainda é ouvido nas conversas de rua, e a gastronomia local segue girando em torno de massas, polenta e vinho colonial. Movimento parecido ao de outras cidades da serra gaúcha que viraram destino a partir da própria história.
Onde ir além do centro histórico?
Boa parte dos atrativos está na zona rural, ligada por estradas entre parreirais e vales. Confira abaixo os principais pontos indicados pela Prefeitura de Antônio Prado:
- Casa da Neni: casarão que abriga o Museu Municipal, com objetos e registros da vida dos primeiros colonos.
- Igreja Sagrado Coração de Jesus: matriz que fecha o conjunto da praça central, cercada pelos casarões tombados.
- Linha 21 de Abril: roteiro rural que reúne o Moinho Francescatto e a Ferraria Marsílio, oficinas que mostram os ofícios da colônia.
- Gruta Natural Nossa Senhora de Lourdes: formação rochosa transformada em espaço de devoção pelos moradores.
- Moinho Ghinzelli e Cascatas da Usina: conjunto de água e mata no interior do município, boa parada para caminhadas.
- Vinícola Zanella e Armazém do Prado: pontos de degustação e venda de produtos coloniais produzidos na região.
Quem quer conhecer a cidade mais italiana do Brasil vai curtir este vídeo do canal @BemlivreBrasil, com mais de 8,6 mil visualizações, que explora a história e o turismo de Antônio Prado.
Como é o clima de Antônio Prado ao longo do ano?
A cidade está a cerca de 658 m de altitude, altura que garante inverno rigoroso para os padrões brasileiros e verão sem calor extremo. As chuvas se distribuem pelos doze meses, sem estação seca definida. Veja abaixo o comportamento médio do clima ao longo do ano:
Temperaturas aproximadas. As médias de chuva ficam altas o ano inteiro, com cerca de 137 mm em junho e 158 mm em fevereiro, conforme o Climatempo. As condições variam de um ano para outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale checar a previsão atualizada antes de viajar.
A Vila Gaúcha que virou referência mundial de turismo rural
Antônio Prado guarda em poucas quadras o registro mais completo do que foi a chegada dos italianos ao sul do Brasil, com casas que atravessaram mais de um século de pé porque a cidade parou de crescer na hora certa. O reconhecimento da ONU Turismo apenas colocou no mapa mundial um patrimônio que a comunidade já cuidava sozinha.
Vale reservar um fim de semana para caminhar entre os casarões, subir a Linha 21 de Abril e ouvir o talian no balcão de um armazém colonial.
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