Vizinho corta raízes de árvore que avançavam sob sua garagem e semanas depois tronco cai sobre a casa de quem plantou
A lei permitia cortar as raízes na divisa, mas a árvore caiu semanas depois. A perícia pode transformar a chuva em causa principal ou simples gatilho.
A responsabilidade pela queda da árvore vai além de saber onde ela estava. As raízes danificavam a garagem vizinha, mas o corte sem avaliação técnica pode ter retirado sua estabilidade antes da chuva.
O vizinho tinha direito de cortar as raízes?
O artigo 1.283 do Código Civil permite cortar raízes e ramos que ultrapassem a divisa, até o plano vertical entre os imóveis. O piso levantado e as rachaduras demonstram uma interferência concreta.
A autorização define até onde o corte pode chegar, mas não garante imunidade pelo modo de execução. Remover raízes estruturais sem analisar espécie, porte, solo e inclinação pode ser imprudente ou abusivo.

O corte dentro do terreno elimina a responsabilidade pela queda?
Não. Se a perícia concluir que raízes de sustentação foram seccionadas e a intervenção foi decisiva, podem incidir as regras de ato ilícito, abuso de direito e reparação. Importa saber quem executou o serviço e com qual orientação.
O dono da árvore também pode ter contribuído se conhecia os danos, ignorou pedidos ou manteve exemplar inclinado, apodrecido ou inadequado ao local. A culpa concorrente pode levar à divisão proporcional da responsabilidade.
A chuva forte pode ser considerada a única causa?
Chamar o evento de tempestade não basta. Pelo artigo 393 do Código Civil, força maior pressupõe fato necessário com efeitos inevitáveis. Uma chuva excepcional capaz de derrubar árvore saudável pode afastar ou reduzir a responsabilidade.
Se o sistema radicular já estava comprometido, a chuva pode ser apenas o gatilho. Registros de vento e precipitação, outras quedas e alertas oficiais permitem medir a excepcionalidade do evento.
Quais provas mostram por que a árvore caiu?
Um engenheiro florestal, agrônomo ou arborista pode examinar diâmetro e posição das raízes cortadas, área remanescente, podridão, fungos, inclinação e resistência do solo. A vistoria estrutural deve separar os danos antigos na garagem daqueles causados pela queda na residência.
O ideal é preservar raízes, toco e partes cortadas até a inspeção, salvo quando houver risco imediato. Fotografias originais, recibos do serviço e dados históricos do INMET ajudam a reconstruir a sequência.
Quatro grupos de elementos merecem prioridade:
Como a responsabilidade pode ser dividida?
A conclusão depende do nexo entre cada conduta e o resultado. Danos anteriores, corte recente e tempestade podem coexistir, sem que um deles apague automaticamente os demais.
Quem deveria ter providenciado a solução adequada?
O proprietário da árvore deveria avaliar reclamações e adotar manutenção segura quando informado dos danos. O vizinho podia exigir providências e cortar o que cruzava a divisa, mas a proximidade de raízes estruturais recomendava notificação e avaliação profissional antes de uma intervenção irreversível.
Dependendo do município, poda de raízes, manejo ou remoção também pode exigir autorização ambiental. A regra local e a eventual contratação de jardineiro ou empresa devem integrar a apuração.
Quais prejuízos podem ser cobrados?
O dono da garagem pode cobrar o piso e as rachaduras comprovadamente causados pelas raízes. Já o proprietário da árvore pode reclamar reparos da casa, retirada segura, bens atingidos e hospedagem necessária, se demonstrar que o corte causou ou agravou a queda.
As duas pretensões devem ser documentadas separadamente; não existe compensação automática. Conforme o artigo 945 do Código Civil, a contribuição da própria vítima pode reduzir a indenização segundo a gravidade comparada das condutas.
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O que deve ser feito logo após o acidente?
A área deve ser isolada, e qualquer risco estrutural ou elétrico comunicado aos serviços de emergência. Antes da remoção, convém registrar a cena, chamar seguradoras, identificar quem executou o corte e realizar perícia conjunta. Orientação jurídica e técnica local ajuda a preservar a prova e formular uma solução proporcional.
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