Roberto Reis na Crusoé: O Ronaldinho que pode derrubar Lula
O presidente não pode atacar Flávio por suas relações e seus financiadores enquanto exige silêncio sobre Fábio Luís
Em outubro de 2006, questionado sobre os negócios de Fábio Luís Lula da Silva, Lula afirmou que a empreitada do filho havia funcionado magistralmente e provocou: “Deve haver um milhão de pais reclamando: por que meu filho não é o Ronaldinho? Porque não pode todo mundo ser o Ronaldinho”.
Longos vinte anos depois, o Ronaldinho dos negócios voltou ao campeonato, para tristeza dos petistas. E pode, desta vez, marcar o maior gol contra da carreira política do pai.
Não é preciso recorrer aos boatos sobre JBS, Petrobras ou fazendas. A história documentada e confirmada basta. Lulinha nunca deixou de ser um problemão político para Lula.
Em 2002, Fábio Luís trabalhava como monitor no Zoológico de São Paulo e recebia cerca de 600 reais.
Apenas dois anos depois, entrou na sociedade da Gamecorp. Em janeiro de 2005, a Telemar investiu 5 milhões de reais: metade por 35% das ações e metade pela exclusividade do conteúdo.
A Telemar operava uma concessão pública. O BNDES possuía 25% da holding que participava da empresa, e fundos de pensão estatais também investiam nela.
Naquela época, o negócio entrou na mira da CPI dos Correios, a mesma do mensalão. Lulinha deu sorte e ficou fora do relatório final.
Reportagens da época afirmaram que Lulinha e o sócio Kalil Bittar participaram de três encontros com Daniel Goldberg, então secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça. Um dos temas teria sido a barreira legal que impedia a Telemar de comprar a Brasil Telecom.
Eles negaram lobby. Mas, em novembro de 2008, Lula assinou o decreto que acabou com a proibição e abriu o caminho para a compra.
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