Um professor de matemática sem formação em engenharia juntou alunos de escola pública do interior, transformou papel velho e casca de coco em biocimento, venceu um prêmio nacional entre 2.300 inscritos, e levou R$ 200 mil para o projeto
Uma experiência iniciada com resíduos da própria escola saiu da sala de aula e conquistou recursos para tentar alcançar outra escala.
O biocimento nasceu quando um professor de matemática e alunos de escola pública reaproveitaram papel descartado e fibra de coco. O material virou blocos de pavimentação, venceu uma seleção com mais de 2.300 iniciativas e garantiu R$ 200 mil para ampliar o projeto.
Quem criou o biocimento premiado com R$ 200 mil?
O projeto foi orientado por Thales Lima do Nascimento, professor do Centro Territorial de Educação Profissional do Sisal, em Serrinha, na Bahia. Formado em Matemática e Administração, ele conduziu alunos do ensino médio em pesquisa ligada à construção civil.
Enquanto o cimento tradicional funciona como aglomerante, biocimento identifica a mistura da equipe. A relação oficial dos vencedores coloca Thales na categoria Educadores e descreve blocos de papel reciclado e fibra de coco, sem areia.

Como papel velho e fibra de coco viram blocos?
O trabalho começou com papel descartado na escola. Triturado e combinado à fibra de coco, ele substituiu a areia da mistura. Depois, o material foi moldado e prensado para formar blocos de pavimentação intertravada.
Segundo o Crea-BA, a equipe estudou a NBR 9781 e usou prensa hidráulica. O projeto relatou resistência de 36,4 MPa e suporte de três toneladas, valores ligados às condições específicas dos ensaios realizados.
Quais etapas colocaram os estudantes no centro da pesquisa?
Os alunos participaram da identificação do problema, escolha dos resíduos, preparação, moldagem e testes. Conceitos escolares foram ligados a uma demanda local: criar calçadas acessíveis e baratas enquanto se reduz o descarte.
Os primeiros blocos não atingiram o resultado esperado. O grupo refez proporções e comparou protótipos até chegar à versão apresentada nas competições. O processo mostra pesquisa baseada em tentativa, medição e correção.
O percurso prático reuniu estas etapas:
O que os R$ 200 mil podem mudar no projeto?
O Prêmio LED Globo escolheu seis vencedores entre mais de 2.300 iniciativas e dividiu R$ 1,2 milhão, chegando a R$ 200 mil por projeto. O recurso está ligado à expansão da iniciativa, não descrito como remuneração pessoal do professor.
A verba pode apoiar equipamentos, produção, ensaios e estruturação do empreendimento. Ampliar a fabricação exige controlar matérias-primas, repetir testes e documentar o processo para manter qualidade constante entre diferentes lotes.
Os próximos desafios podem ser organizados assim:
O biocimento pode substituir qualquer material convencional?
Não. O material foi direcionado a blocos de pavimentação, o que não autoriza uso automático em paredes estruturais ou fundações. Cada aplicação exige requisitos próprios de resistência, absorção, desgaste, durabilidade e segurança.
Um bom resultado de compressão não responde sozinho a essas questões. Produção em escala e aplicação permanente exigem ensaios repetidos, normas correspondentes e acompanhamento de profissionais habilitados, especialmente quando houver risco para usuários ou edificações.
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Por que a formação em Matemática não impediu a inovação?
Pesquisa escolar não depende de uma única graduação. O professor organizou hipóteses, medidas e correções, enquanto os estudantes investigaram um problema real. O resultado nasceu da combinação entre método, curiosidade e trabalho coletivo.
Na expansão, especialistas em materiais, engenharia e produção podem aprofundar a validação sem apagar a origem escolar. Os R$ 200 mil aproximam esses mundos e podem transformar o experimento em solução tecnicamente documentada e socialmente útil.
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