O alpinista que passou a noite em uma caverna de neve a 8.500 metros e chegou ao topo do K2 sem oxigênio
Três escaladores improvisaram um abrigo extremo perto do cume e dois deles retomaram a subida na manhã seguinte
Em agosto de 1981, uma equipe japonesa e paquistanesa enfrentou a pouco explorada face oeste do K2. Perto do cume, três homens ficaram presos a aproximadamente 8.500 metros e precisaram cavar uma caverna na neve. Na manhã seguinte, dois deles completariam uma das histórias mais impressionantes do K2 sem oxigênio suplementar.
Como uma tentativa de K2 sem oxigênio terminou em uma caverna a 8.500 metros?
A expedição da Universidade Waseda tentava abrir uma nova rota pela face oeste do K2, montanha de 8.611 metros no Karakoram. Em 6 de agosto, Eiho Ohtani, Matsushi Yamashita e o paquistanês Nazir Ahmad Sabir deixaram o acampamento final usando oxigênio, mas abandonaram os cilindros quando perceberam que eles dificultariam a escalada técnica.
O avanço ficou muito mais lento. Somente às 18h o trio chegou ao topo de uma difícil seção de rocha e neve, a cerca de 27.900 pés, aproximadamente 8.500 metros. Escurecia e continuar seria arriscado demais. A única alternativa era criar ali mesmo proteção suficiente para sobreviver à noite.
O que eles fizeram quando perceberam que não conseguiriam descer?
Durante aproximadamente três horas, os alpinistas escavaram uma caverna na neve. Não tinham sacos de dormir, combustível, comida, água disponível nem oxigênio suplementar naquele abrigo improvisado. Felizmente, o tempo permaneceu relativamente estável durante a noite, algo decisivo em altitude tão extrema.
A situação reunia alguns dos piores fatores possíveis para um bivaque de emergência.
- Estavam a aproximadamente 8.500 metros de altitude.
- Não possuíam sacos de dormir.
- Não tinham combustível para derreter neve.
- Haviam deixado os cilindros de oxigênio para trás.
- Precisavam voltar a escalar na manhã seguinte.
O documentário abaixo aborda a face oeste do K2 e ajuda a visualizar a inclinação, a exposição e o terreno enfrentados por expedições nessa vertente. Embora trate de outra tentativa, as imagens mostram por que essa face permanece entre as regiões mais intimidadoras da montanha.
Por que uma caverna de neve pode salvar alguém no K2 sem oxigênio?
A neve funciona como uma barreira contra o vento e reduz drasticamente a perda de calor por convecção. O objetivo de uma caverna não é transformar o ambiente em um local quente, mas diminuir a exposição direta às rajadas e permitir que roupas e calor metabólico trabalhem de maneira mais eficiente.
Pesquisas modernas sobre balanço térmico em altitudes extremas confirmam que passar uma noite acima de 8.000 metros sem abrigo aumenta muito o risco de hipotermia. Em condições severas de inverno, modelos apontam que a temperatura corporal pode cair rapidamente, tornando a proteção contra o vento essencial à sobrevivência.
O que aconteceu quando o Sol nasceu na manhã seguinte?
Em 7 de agosto, o Sol aqueceu a região e os três perceberam que ainda tinham condições de continuar. Sem oxigênio, entretanto, o avanço foi extremamente lento. Depois de quatro horas, haviam conquistado apenas cerca de 100 metros verticais. Yamashita começou a perder terreno em relação aos companheiros.
Yamashita decidiu parar aproximadamente 45 metros abaixo do cume para permitir que Ohtani e Sabir avançassem mais rapidamente. Os dois chegaram ao topo às 11h30. Assim, concluíram a nova rota pela face oeste após terem passado a noite anterior naquela caverna improvisada.
Por que subir o K2 sem oxigênio torna cada movimento tão difícil?
Acima de 8.000 metros está a região popularmente chamada de “Zona da Morte”. A pressão atmosférica reduzida diminui a quantidade de oxigênio disponível para o organismo, afetando resistência física, raciocínio, coordenação e capacidade de manter o corpo aquecido durante longos períodos.
O relato original publicado pelo American Alpine Journal mostra claramente essa dificuldade: depois do bivaque, os escaladores precisaram de quatro horas para ganhar apenas cerca de 350 pés de altitude. O esforço ocorria depois de uma noite sem alimentação, água ou descanso adequado.

Eles realmente cavaram a caverna depois de chegar ao topo?
Não. Essa é a principal correção da versão viral. A caverna foi escavada antes do cume, aproximadamente 100 metros abaixo dele. Além disso, três homens passaram a noite ali, e somente Eiho Ohtani e Nazir Sabir conseguiram alcançar o ponto mais alto no dia seguinte.
Também não foi uma subida inteira realizada sem qualquer uso de oxigênio. O grupo utilizou cilindros em parte da etapa final, mas os deixou para trás antes do bivaque e completou a seção decisiva até o cume sem eles. O feito permanece extraordinário justamente quando os detalhes reais são preservados.
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