Rede de supermercados entra em falência e decide fechar 32 das 39 lojas depois que grande investidor abandona o negócio
A empresa saiu do investimento reconhecendo perda de R$ 1,3 bilhão. Semanas depois, a rede fechou 32 das 39 lojas e pediu falência

O que você vai ver
- Qual rede de supermercados quebrou depois da saída do investidor.
- Quanto o gigante do varejo perdeu ao sair do negócio.
- Por que o modelo de negócio custava mais caro.
- O que aconteceu com as lojas restantes.
Uma rede de supermercados de alimentos naturais entrou em falência semanas depois que uma gigante do varejo de supermercados, dona de mais da metade do negócio, anunciou que estava saindo do investimento, reconhecendo publicamente um prejuízo bilionário na operação.
Qual rede de supermercados quebrou depois da saída do investidor?
A rede é a Lucky’s Market, fundada em 2003 em Boulder, no Colorado, por ex-chefs de cozinha, com lojas no estilo mercado de produtores e proposta de vender produtos orgânicos a preços mais acessíveis que concorrentes tradicionais do segmento.
A rede operava 39 lojas quando começou a fechar 32 delas, pouco antes de pedir Chapter 11 formalmente em fevereiro de 2020, processo que se seguiu rapidamente ao anúncio de saída de seu principal investidor.
Kombucha Dream! Join us at @luckysmarket this weekend for sampling! Lucky's Market South Boulder 11-2 and Lucky's Market North Boulder 3-6. pic.twitter.com/JwvXNRdHhe
— YoBucha Denver (@YoBucha_Denver) May 17, 2017
Quanto o gigante do varejo perdeu ao sair do negócio?
A Kroger, uma das maiores redes de supermercados dos Estados Unidos, havia investido na Lucky’s Market em 2016, quando a rede tinha apenas 17 lojas, chegando a deter 55% de participação na empresa controladora do negócio.
Em dezembro de 2019, a Kroger anunciou que se desfaria do investimento, reconhecendo uma perda contábil de cerca de R$ 1,3 bilhão sobre a própria participação, decisão que antecedeu em poucas semanas o anúncio de fechamento da maior parte das lojas da Lucky’s Market.
2003
fundação da Lucky’s Market, no Colorado.
2016
Kroger investe na rede, então com 17 lojas.
Dezembro de 2019
Kroger anuncia saída, com perda de cerca de R$ 1,3 bilhão.
Fevereiro de 2020
pedido de Chapter 11 e fechamento de 32 das 39 lojas.
Por que o modelo de negócio custava mais caro?
A Lucky’s Market mantinha um modelo de operação mais caro que concorrentes de maior escala como a própria Kroger, com forte investimento em alimentos preparados na loja e departamentos especializados, estrutura que custa mais para operar por unidade.
Esse modelo podia se sustentar com um número pequeno de lojas cuidadosamente escolhidas, mas passou a acumular prejuízos à medida que a rede se expandia, incluindo uma aposta específica de crescimento no estado da Flórida, ao mesmo tempo em que enfrentava concorrência crescente de outras redes especializadas em produtos naturais, como Sprouts, Fresh Thyme e Earth Fare.
O que aconteceu com as lojas restantes?
Das 39 lojas originais, sete permaneceram abertas durante o processo de venda dos ativos remanescentes, enquanto parte dos imóveis das unidades fechadas foi posteriormente negociada com outras redes de supermercados interessadas nos pontos comerciais, incluindo Aldi e Publix.
Assim como no caso da Earth Fare, outra rede de alimentos naturais que colapsou praticamente na mesma época, pressionada pelos mesmos concorrentes, a Lucky’s Market mostra como o setor de supermercados orgânicos viveu uma onda concentrada de falências no início de 2020, atingindo redes de porte e estratégia parecidos quase ao mesmo tempo.
Mais detalhes sobre o processo estão disponíveis na CNN.

O que esse caso ensina sobre investimentos de gigantes em redes menores?
A saída da Kroger, com reconhecimento público de perda bilionária, ilustra um risco específico de investimentos de grandes redes em operações menores e mais especializadas: mesmo com capital e estrutura de um gigante do setor por trás, um modelo de negócio com custos estruturalmente mais altos por loja pode não se sustentar em escala maior.
- Fundação independente em 2003, com proposta de orgânicos mais acessíveis.
- Investimento da Kroger em 2016, com participação majoritária de 55%.
- Expansão custosa para novos estados, incluindo a Flórida.
- Saída da Kroger em dezembro de 2019, com perda bilionária reconhecida.
- Falência formal em fevereiro de 2020, semanas depois.
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