Rede de supermercados fecha cerca de 50 lojas e 3 mil trabalhadores se despedem depois que dinheiro para de entrar
A Earth Fare começou em 1975 como "Dinner for the Earth" e fechou de vez em 2020, quando um comprador desistiu do acordo dias antes da pandemia começar

O que você vai ver
- Qual rede de supermercados começou com outro nome.
- O que aconteceu com o comprador de última hora.
- Como a pandemia complicou ainda mais o processo.
- Por que redes de orgânicos sofreram junto.
Uma rede de supermercados de alimentos naturais começou em 1975 vendendo suplementos e produtos a granel sob um nome bem diferente do que ficaria conhecida décadas depois. Ela fechou de vez as portas bem no momento em que o mundo começava a entrar em lockdown por causa da pandemia.
Qual rede de supermercados começou com outro nome?
A rede é a Earth Fare, fundada em Asheville, na Carolina do Norte, em 1975, sob o nome original de “Dinner for the Earth” (algo como “Jantar para a Terra”), vendendo suplementos e alimentos naturais a granel.
Somente em 1994 o negócio se transformou num supermercado completo e adotou o nome Earth Fare, crescendo nas décadas seguintes até chegar a cerca de 55 lojas em dez estados americanos, antes de anunciar o fechamento total em fevereiro de 2020.
@EarthFare has reopened its location in Ballantyne — slowly coming back to life after closing all stores in bankruptcy in February. SouthPark store reopened last month pic.twitter.com/JiizwYbaVc
— The Charlotte Ledger (@CltLedger) November 11, 2020
O que aconteceu com o comprador de última hora?
Nas semanas que antecederam o fechamento, a Earth Fare esteve em negociações avançadas com um comprador não identificado, interessado em adquirir 33 lojas e a sede da empresa, conversas que se estenderam por cerca de três semanas, incluindo uma reunião presencial na própria sede da companhia.
Em 29 de janeiro de 2020, o comprador simplesmente informou que não tinha mais interesse no negócio, sem que os documentos do processo de falência revelassem publicamente o motivo real da desistência, deixando a empresa sem alternativa além do fechamento total.
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semanas de negociação com o comprador que desistiu do acordo sem explicação pública, dias antes do fechamento total ser anunciado.
Como a pandemia complicou ainda mais o processo?
Depois do anúncio de fechamento, a Earth Fare passou a negociar a venda de contratos de aluguel individuais de suas lojas para outros operadores de supermercado, processo que avançava razoavelmente bem até os primeiros bloqueios ligados à pandemia de coronavírus começarem a atingir os Estados Unidos, em março de 2020.
- Fundação em 1975, sob o nome “Dinner for the Earth”.
- 1994: transformação em supermercado completo e mudança para o nome Earth Fare.
- Janeiro de 2020: comprador de 33 lojas desiste sem explicação pública.
- Fevereiro de 2020: anúncio do fechamento total das 50 lojas restantes.
- Março de 2020: pandemia dificulta a venda dos contratos de aluguel remanescentes.
Alguns compradores interessados em assumir contratos de aluguel individuais recuaram justamente por causa da incerteza gerada pelos lockdowns, embora a maior parte das negociações de imóveis tenha sido concluída antes do fim de março daquele ano.

Por que redes de orgânicos sofreram junto?
O colapso da Earth Fare não foi um caso isolado no setor de supermercados de alimentos naturais e orgânicos: outras redes especializadas na mesma categoria enfrentaram dificuldades parecidas no mesmo período, pressionadas pela expansão de concorrentes maiores, incluindo redes de varejo generalista que passaram a investir pesado em linhas próprias de produtos orgânicos e naturais.
Essa pressão de grandes redes generalistas sobre operadores especializados menores segue um padrão parecido com o que aconteceu na Debenhams, engolida por mudanças no varejo que redes menores tiveram mais dificuldade de acompanhar. Mais detalhes sobre o colapso da Earth Fare estão disponíveis no Supermarket News.
O que restou depois do fechamento total?
Das 50 lojas fechadas, dez unidades foram vendidas para outros operadores de supermercado que assumiram os pontos comerciais, enquanto as 40 restantes foram devolvidas diretamente aos proprietários dos imóveis, encerrando de vez a operação da Earth Fare como empresa em funcionamento.
Diferente de outros casos em que uma marca sobrevive apenas como nome comercial depois do colapso da operação original, a Earth Fare não teve o próprio nome preservado por nenhum comprador, o que a diferencia de casos como o de marcas que continuaram existindo digitalmente ou sob nova bandeira mesmo após o fim das lojas físicas.
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