Rede de roupas infantis entra em falência pela segunda vez e começa a apagar mais de 800 lojas do mapa
A empresa quebrou pela segunda vez em 2019 e duas rivais dividiram entre si as marcas do grupo falido

O que você vai ver
- Qual rede infantil quebrou pela segunda vez.
- Quais concorrentes dividiram os pedaços da empresa.
- Quanto tempo durou a recuperação entre as duas falências.
- Como funcionou a liquidação dos estoques.
Uma rede americana de roupas infantis entrou em falência pela segunda vez em menos de dois anos, e o desfecho teve um detalhe curioso: duas empresas concorrentes entre si acabaram dividindo os pedaços que restaram do grupo falido, cada uma levando marcas diferentes.
Qual rede infantil quebrou pela segunda vez?
A rede é a Gymboree, que pediu Chapter 11 pela segunda vez em janeiro de 2019, menos de dois anos depois de ter saído de uma primeira recuperação judicial concluída em 2017.
Dessa vez, o processo terminou em liquidação total: 540 lojas Gymboree, incluindo unidades e outlets nos Estados Unidos e no Canadá, além de 265 lojas da marca irmã Crazy 8, foram todas fechadas definitivamente.
Gymboree rebranding by Pentagram (1993)(1/2)
— Evan Collins | BLM 🏳️🌈🇵🇸 (@EvanCollins90) January 29, 2020
Really enjoy the 'Memphis Jr.' style this rebranding seems to embody; colorful and playful. These were scanned from Pentgram's 1999 monograph book along with issues of Graphis Magazine. pic.twitter.com/R0RKHYBZUJ
Quais concorrentes dividiram os pedaços da empresa?
A The Children’s Place, rede concorrente direta no varejo de moda infantil, comprou a propriedade intelectual das marcas Gymboree e Crazy 8, incluindo nomes, marcas registradas, domínios e banco de dados de clientes, por cerca de R$ 420 milhões.
Ao mesmo tempo, a Gap comprou os ativos da Janie and Jack, outra marca do mesmo grupo falido, por aproximadamente R$ 190 milhões, incluindo site e dados de clientes, o que significou que duas rivais do setor de moda infantil terminaram levando, cada uma, uma fatia diferente do mesmo grupo que quebrou.
Quanto tempo durou a recuperação entre as duas falências?
A Gymboree havia saído de uma primeira recuperação judicial em 2017, período em que reduziu dívida e fechou parte das lojas com pior desempenho, mas o fôlego durou pouco: menos de dois anos depois, a empresa já estava de volta ao tribunal, dessa vez sem alternativa além do fechamento total.
- 2017: Gymboree sai da primeira recuperação judicial.
- Janeiro de 2019: segunda entrada em Chapter 11.
- Fechamento de 540 lojas Gymboree e 265 lojas Crazy 8.
- The Children’s Place compra Gymboree e Crazy 8 por cerca de R$ 420 milhões.
- Gap compra Janie and Jack por cerca de R$ 190 milhões.
Como funcionou a liquidação dos estoques?
As liquidações de estoque nas lojas físicas renderam cerca de R$ 850 milhões em receita líquida para o processo de falência, recursos usados para pagar credores antes do fechamento definitivo de todas as unidades.
Esse padrão de reincidência rápida em falência, sair de uma recuperação apenas para voltar ao mesmo processo pouco tempo depois, se repete em outros casos do varejo americano, como discutido em rue21, rede que já acumulou três falências ao longo de 22 anos. Mais detalhes sobre o caso Gymboree estão disponíveis na CNBC.

Por que rivais compram marcas de concorrentes falidos?
Para uma rede já estabelecida no mesmo setor, comprar apenas a marca e a base de clientes de um concorrente falido, sem herdar lojas físicas nem dívidas antigas, costuma ser uma forma barata de ampliar participação de mercado, já que o reconhecimento de nome de décadas tem valor comercial mesmo depois do colapso da empresa original.
No caso da Gymboree, tanto The Children’s Place quanto Gap já disputavam diretamente o mesmo público de pais compradores de roupa infantil, o que tornava as marcas adquiridas um complemento natural aos próprios portfólios, mesmo sem qualquer intenção de reabrir as lojas físicas que haviam fechado.
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