Considerada extinta desde 1908, pequena criatura alada reaparece depois de quase 90 anos e transforma uma pradaria isolada em seu último refúgio conhecido
Após décadas sem registros, uma população mínima resiste numa pradaria costeira e depende de poucos dias de voo para se reproduzir.
A pequena criatura alada não era documentada desde 1908 e chegou a ser considerada extinta. Reencontrada em 1998, ela sobrevive hoje numa estreita e isolada pradaria costeira, onde poucas centenas de indivíduos enfrentam ameaças ambientais e humanas.
Qual é a pequena criatura alada que reapareceu?
A criatura é a borboleta-marmorizada-das-ilhas, ou Euchloe ausonides insulanus, uma subespécie rara norte-americana. Ela pertence aos pierídeos, família que reúne muitas borboletas brancas e amarelas.
Suas asas medem menos de cinco centímetros. A parte superior é clara, enquanto a inferior possui desenhos esverdeados e amarelados semelhantes a mármore. A camuflagem ajuda na vegetação, mas sua distribuição minúscula a coloca entre as borboletas mais raras da América do Norte.

Como a borboleta foi reencontrada depois de quase 90 anos?
A última coleta ocorreu na Ilha Gabriola, no Canadá, em 1908. Como nenhum novo exemplar apareceu durante décadas, pesquisadores consideraram que a borboleta havia desaparecido completamente de sua distribuição histórica nas ilhas costeiras da Colúmbia Britânica.
Em 1998, dois pesquisadores encontraram indivíduos durante um levantamento na pradaria de American Camp, na Ilha San Juan, Estados Unidos. A redescoberta ocorreu ao sul dos registros canadenses e revelou uma população isolada que havia escapado da documentação científica.
Por que uma pradaria virou o último refúgio conhecido?
A pradaria de American Camp reúne as plantas hospedeiras usadas para alimentação e postura dos ovos. Levantamentos posteriores localizaram núcleos nas ilhas San Juan e Lopez, mas a população de Lopez deixou de ser observada por volta de 2010.
Dados atuais do Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos indicam poucas centenas apenas em San Juan, quase todas no parque. A referência às duas ilhas descreve a distribuição posterior a 1998, não a situação atual.
A cronologia mostra como a área conhecida voltou a encolher:
Por que o ciclo de vida deixa a espécie tão vulnerável?
Os adultos voam por apenas seis a nove dias na primavera. Nesse intervalo, precisam alimentar-se, encontrar parceiros e colocar ovos. A nova geração atravessa o restante do ano como crisálida antes de emergir na primavera seguinte.
Estimativas do parque indicam que somente cerca de 5% dos ovos chegam à fase adulta. As fêmeas dependem de poucas mostardas hospedeiras. Se essas plantas forem cortadas, consumidas por cervos ou substituídas, o ciclo pode ser interrompido.
Três fatores resumem essa fragilidade:
Quais ameaças ainda cercam a última população?
A transformação da pradaria permanece como ameaça central. Arbustos avançam sobre áreas abertas, invasoras alteram a vegetação e cervos consomem plantas usadas para postura. Agricultura, construções e cortes na época errada também reduzem o habitat.
O tamanho reduzido amplia os efeitos de predadores, clima desfavorável e falta de plantas. Como os indivíduos vivem próximos, uma seca intensa ou mudança na vegetação pode afetar grande parte da população na mesma temporada.
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A borboleta-marmorizada-das-ilhas pode deixar o risco de extinção?
A recuperação depende da criação de novas populações protegidas. Desde 2020, a borboleta está classificada como ameaçada de extinção nos Estados Unidos. Restaurar pradarias e ampliar plantas hospedeiras são medidas necessárias para reduzir a dependência de um único refúgio.
Equipes recolhem ovos, criam indivíduos e devolvem adultos. Esse apoio reduz perdas, mas não substitui habitat saudável. A redescoberta evitou que a espécie fosse esquecida; sua segurança exigirá populações independentes em mais de uma área.