Felino eliminado de quase toda a Europa Central por 200 anos volta às florestas, alcança até 18 mil animais e emociona conservacionistas
Reintroduções iniciadas nos anos 1970 reconstruíram populações, mas isolamento genético e estradas ainda limitam a recuperação.
O felino eliminado de quase toda a Europa Central por 200 anos conseguiu voltar a ocupar densas florestas onde já não era visto. Reintroduções iniciadas nos anos 1970 ajudaram a reconstruir populações, hoje estimadas em até 18 mil animais no continente.
Qual é o felino eliminado que voltou às florestas europeias?
O animal é o lince-euroasiático, ou Lynx lynx, maior felino selvagem da Europa. O perfil do lince-euroasiático descreve machos geralmente entre 18 e 30 quilos, corpo musculoso, pernas longas, cauda curta e tufos escuros nas orelhas.
Esse predador caça ao entardecer ou à noite e evita humanos. Corças e lebres formam sua dieta. A pelagem manchada serve de camuflagem, permitindo que o lince viva numa floresta durante anos sem ser observado.

Por que o lince desapareceu de quase toda a Europa Central?
O lince foi eliminado por perseguição humana, caça e perda de habitat. A redução das florestas e de suas presas agravou o declínio. Como o felino necessita de territórios amplos, populações pequenas ficaram isoladas e mais vulneráveis ao desaparecimento.
A extinção regional durou aproximadamente 200 anos em grande parte da Europa Central. A espécie sobreviveu no norte e no leste europeu e numa extensa faixa da Ásia. Esses núcleos forneceram animais para programas que reconstruíram populações ocidentais.
Como começaram as reintroduções na década de 1970?
As reintroduções começaram com a transferência de linces para florestas adequadas onde a causa do desaparecimento havia diminuído. Suíça e Eslovênia receberam animais primeiro, seguidas por iniciativas em outros países.
Soltar animais é apenas a etapa inicial. Equipes avaliam alimento, floresta e aceitação local, acompanham indivíduos por colares com GPS e transferem novos linces para aumentar a diversidade genética de grupos isolados.
A recuperação alcançou diferentes pontos do continente:
O que significa a estimativa de até 18 mil animais?
A estimativa da Rewilding Europe aponta entre 17 mil e 18 mil linces-euroasiáticos no continente. O intervalo reúne populações de uma distribuição muito ampla, desde áreas ocidentais recolonizadas até grandes núcleos do norte e do leste.
O total continental não representa milhares de animais conectados na Europa Central. Muitos grupos são pequenos e isolados por cidades, rodovias e áreas agrícolas. Contagens também variam conforme a área considerada, o período e o método de monitoramento.
Os números precisam ser lidos em escalas diferentes:
Qual é a função do lince nas florestas?
O lince atua como predador de topo e ajuda a regular presas, especialmente herbívoros. Esse controle pode reduzir a pressão sobre mudas e favorecer a renovação da floresta quando os demais componentes do ecossistema também estão presentes.
Restos de presas alimentam raposas, aves e outros animais necrófagos. O retorno do felino recupera relações ecológicas, mas não produz resultados idênticos em todas as áreas. Quantidade de presas, tamanho da floresta e presença humana modificam seu impacto.
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A recuperação do lince-euroasiático já está garantida?
A recuperação europeia é expressiva, porém ainda não está garantida em todos os países. Atropelamentos, caça ilegal, perda de habitat e cruzamentos entre parentes ameaçam núcleos pequenos. Um crescimento continental pode esconder declínios ou baixa diversidade genética em determinada região.
A continuidade depende de corredores florestais, monitoramento, proteção e convivência com comunidades. O retorno após dois séculos mostra que reintroduções podem funcionar; manter populações conectadas e capazes de reproduzir sem reforços frequentes será o teste de longo prazo.
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