Uma festa no caminho da reforma
Como o São João pode atrapalhar o sucesso da reforma da Previdência.
O São João é uma festividade que anima todo o país. Mas é encarado no Nordeste com uma seriedade acima da média. Em 2016, por exemplo, por volta de 80% da bancada nordestina se ausentou do Congresso em meados de junho.
Dias depois, uma quadrilha tomou conta da Câmara Federal – não confundir com “quadrilhão“.

O Dia do Quadrilheiro Junino já se tornou uma tradição da casa. Que, vale frisar, é pouco valorizada pelos deputados. Em 2018, apenas dois prestigiaram o evento.
– Reforma junina
Tudo isso serve de obstáculo à reforma da Previdência. Junho já estava no sexto dia quando o relator percebeu o risco.

O deputado Marcelo Ramos disse que os festejos juninos no Nordeste podem esvaziar a Câmara e atrapalhar a tramitação da reforma da Previdência neste mês de junho. O Antagonista, em 6 de junho de 2019Na condição de representante do Ceará no Senado, Eduardo Girão achou a situação um absurdo.
Mesmo festas tão tradicionais como o São João não podem justificar a ausência de parlamentares que foram eleitos pelo povo para cumprirem seu elevado dever de legislar. Especialmente quando se trata de matéria tão relevante, como a reforma da Previdência. Eduardo Girão, senador pelo Podemos do CearáTambém na bancada nordestina, o senador Roberto Rocha sacou uma figura de linguagem para comentar o conflito de agenda.
Não acredito que algum parlamentar queira trocar um boi por uma boiada. Roberto Rocha, senador pelo PSDB do Maranhão– Otimismo Eleitor por São Paulo, Kim Kataguiri preferiu manter o otimismo, pois sente que a reforma da Previdência entrou junho vivendo um bom momento na Câmara.
O clima está favorável. Kim Kataguiri, deputado federal pelo DEM de São PauloEm primeira mão para Diego Amorim e os assinantes de O Antagonista+, o Delegado Waldir calculou que, com a ausência da bancada nordestina, ficaria ainda mais fácil aprovar a reforma.
Se eles forem lá festar, vai ficar mais fácil aprovar a reforma da Previdência, porque, até o momento, a maioria da bancada nordestina é contra a proposta. Delegado Waldir, líder do PSL na Câmara FederalFaz algum sentido. De tão tomado por siglas de oposição ao governo Bolsonaro, o Nordeste tem sido o alvo preferido de militantes como Guilherme Boulos. Mas Diego Amorim apontou que o cálculo de Waldir não pode ignorar dois fatores importantes.
De toda forma, será necessário garantir o quórum para as reuniões da comissão especial. No plenário, a reforma precisará de 308 votos para ser aprovada, em duas votações. Diego Amorim, em primeira mão para O Antagonista+– Pagar para ver A Câmara decidiu arriscar. De acordo com Elmar Nascimento, há um compromisso firmado para que a reforma seja votada antes do recesso parlamentar deste inverno. Em entrevista a Diego Amorim, o líder do DEM na Câmara explicou a decisão em primeira mão aos assinantes de O Antagonista+. – Revolta geral Os assinantes de O Antagonista+ concordam que os parlamentares devem priorizar a atividade parlamentar conquistada nas urnas.
Sou nordestino e vou cobrar cada deputado do meu estado que fizer falta em Brasília. Não vai ser mole para eles. Carlos Lemos
Será uma flagrante irresponsabilidade trocar o futuro por 30 dias de campanha política, que é o motivo verdadeiro da presença nos festejos. O povo vai agradecer por não tê-los lá. Maria Malta
Isso demonstra qual a visão distorcida de grande parte de nossos políticos: eles julgam que Brasília não passa de um “arraial” de propriedade de suas “quadrilhas”. Daisy Schimidt
O São João passa e o que fica são as consequências do descaso com as questões primordiais. Rosa Carvalho
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