Meta, de Zuckerberg, não convence
Zuckerberg tenta acalmar o mercado, mas Meta volta a frustrar com projeção fraca de faturamento e alta de custos em inteligência artificial
A Meta voltou a decepcionar o mercado nesta quarta-feira, ao divulgar projeção de receita fraca para o terceiro trimestre e reforçar dúvidas sobre o retorno de seus investimentos bilionários em inteligência artificial.
A dona do Facebook e do Instagram espera faturar entre 61 bilhões e 64 bilhões de dólares no período, abaixo da média estimada por analistas, de cerca de 63,2 bilhões. A notícia derrubou logo as ações da empresa em até 11% no after-hours de Wall Street, depois se recuperando parcialmente e ficando próximo a -8%.
No segundo trimestre, a receita somou 60,8 bilhões de dólares, superando as previsões, mas o lucro líquido recuou 14%, para 15,85 bilhões, com o lucro por ação de 6,18 dólares ficando bem abaixo do esperado por Wall Street.
A receita de publicidade, principal motor da companhia, segurou o crescimento, com alta de 27%, mas não foi suficiente para compensar a pressão de custos e investimentos.
As despesas totais saltaram 55%, para 42 bilhões de dólares, pressionadas por encargos legais e por custos de demissões realizadas em maio.
O ponto mais sensível foi o colapso do caixa livre: apenas 784 milhões de dólares, queda de 91% frente ao ano anterior, o pior nível desde 2022.
O tombo reflete o ritmo acelerado de gastos com data centers e chips para sustentar a corrida por inteligência artificial. A Meta ainda aumentou o piso da previsão de investimentos para 2026, agora entre 130 bilhões e 145 bilhões de dólares.
Com esses resultados, o mercado já questiona se o retorno financeiro dessa aposta justifica o ritmo do gasto, sobretudo após a Alphabet reportar, na semana anterior, seu primeiro trimestre com caixa negativo.
Zuckerberg tenta acalmar os investidores ao dizer que a empresa recebe ofertas para alugar capacidade computacional acima do custo pago, e que estuda transformar o excesso de servidores em receita, via um braço de nuvem batizado internamente de Meta Compute, ainda não disponível comercialmente.
O episódio ocorre em meio a um ceticismo mais amplo com os gastos bilionários das gigantes de tecnologia em inteligência artificial, enquanto rivais como a Microsoft reportaram crescimento robusto no Azure, seu braço de computação em nuvem, ampliando a pressão sobre a Meta para provar que sua estratégia de longo prazo compensará o sacrifício de curto prazo em lucro e caixa.
Vale lembrar que Zuckerberg já decepcionou o mercado antes, quando investiu mais de 80 bilhões de dólares no metaverso e no Reality Labs, mudando até o nome da holding para Meta, sem jamais entregar os resultados esperados e gerando perdas significativas por vários anos.
Com a queda desta quarta-feira, as ações da Meta acumulam recuo de cerca de 17% no ano, considerando os dados de after-hours/premarket.
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