Algum dia os políticos nos tratarão como adultos?
Anos atrás, tínhamos uma caricatura nas eleições. Era o eterno candidato de si mesmo, Dr. Enéas. O sujeito fez escola e vieram outros
A infantilização do eleitorado por parte dos políticos não deve ser exclusividade brasileira, mas, vamos combinar? Em Banânia, a turma se supera.
Fico imaginando os criadores – marqueteiros profissionais ou não – destes slogans e refrões de campanha. Parece que voltam à quinta série e às gincanas escolares: “Brasil pra frente, Zema presidente“. Na boa, é melhor six seven ou farmar a aura.
Flávio Bolsonaro, então, sempre entrando nos palanques, sacudindo o esqueleto como aqueles bonecos infláveis de posto de gasolina, beira a mais infantil das performances. Nem em festa junina, quando o locutor da quadrilha grita “Olha a cobra“, vê-se cena tão idiota.
Pão e circo
E não pensem que é exclusividade dele, não! Basta ligar a televisão ou abrir qualquer rede social durante uma campanha: é “Faz o L“, “Faz o 22“, arminhas, dancinhas, coreografias, musiquinhas chiclete. Os caras se comportam como se disputassem audiência com influenciadores adolescentes.
Que os políticos consideram os eleitores crianças manipuláveis, eu sei. Afinal, prometem o que jamais irão entregar; caem em contradições o tempo inteiro; roubam, se posam de inocentes perseguidos e tudo o mais. Só que poderiam ser mais condescendentes nas campanhas e nos tratar com um pouco mais de respeito.
Não se fala de produtividade, reforma administrativa, simplificação tributária, segurança pública, qualidade da educação ou aumento da competitividade nacional. Isso não viraliza. O importante é produzir um corte para as redes sociais, um meme, um bordão. O candidato não disputa mais votos; disputa engajamento. Seu principal adversário – ou aliado – é o algoritmo.
Meu nome é Enéas
Caiado, ao se lançar oficialmente como candidato à Presidência, demonizou a “Polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro“. Não pelo mal que isso faz ao país e, principalmente, por impedir o debate sobre a nação. Mas porque não é ele um dos polos, já que usa e abusa dos mesmos termos pejorativos, agressivos e infantis para se referir – como é mesmo? – ao “descondenado”.
Anos atrás, tínhamos uma caricatura em todas as eleições nacionais. Era o eterno candidato de si mesmo, Dr. Enéas. O sujeito fez escola e vieram outros, como Levy Fidelix, cuja principal bandeira era o uso correto do “aparelho excretor”. Depois surgiram Cabo Daciolo, Padre Kelmon, Pablo Marçal e tantos outros. E nem estou falando só dos candidatos folclóricos, pois até um bicho – o Macaco Tião – já foi candidato.
Em breve será a vez do PT: “Dirceu, guerreiro do povo brasileiro“. “Lula lindão roubou meu coração“. Ai, ai… Não vejo a hora de novembro chegar e tudo voltar ao normal. Pelo menos até 2028.
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Comentários (1)
Ita
27.07.2026 14:44Me too.