Cidade nos Campos Gerais tem moinho holandês de 37 metros, título federal de Capital Nacional do Leite e produtividade que rivaliza com fazendas dos Estados Unidos
A tecnologia no campo ajuda a explicar a alta produtividade das fazendas
Poucas cidades brasileiras conseguem reunir, em um mesmo perímetro, a rota dos tropeiros do século XVIII, um moinho de vento importado da Holanda e a maior bacia leiteira do país. A 1.000 metros de altitude, nos Campos Gerais do Paraná, Castro é a terceira cidade mais antiga do estado e concentra hoje uma cadeia produtiva que se aproxima dos padrões de eficiência dos Estados Unidos e da Alemanha. O apelido de Capital Nacional do Leite não veio do marketing turístico, virou lei federal em 2017.
Por que uma cidade do interior do Paraná recebeu o título de Capital Nacional do Leite por lei federal?
O motivo é a produtividade. Em 26 de dezembro de 2017, foi sancionada a Lei Federal 13.584/2017, que conferiu oficialmente a Castro o título de Capital Nacional do Leite, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que já apontavam a cidade como líder absoluta da produção nacional.
Segundo o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), o município produz cerca de 484 milhões de litros por ano. É um volume superior ao de países inteiros, como a Nova Zelândia em termos de produtividade por vaca, e coloca Castro à frente da maioria das regiões leiteiras brasileiras.

Como a colônia holandesa transformou as pastagens dos Campos Gerais?
Tudo começou depois da Segunda Guerra Mundial. Em 1951, famílias vindas das províncias de Drente e Overijssel, na Holanda, se estabeleceram às margens do Rio Iapó em uma área inicial de 5 mil hectares. Fundaram a Colônia Castrolanda, o nome une o município de Castro ao país de origem.
Os imigrantes chegaram com equipamentos agrícolas, maquinário para uma pequena fábrica de laticínios e cerca de mil cabeças de gado holandês de alta linhagem. Segundo a Cooperativa Castrolanda, a produção que era de 26,6 milhões de litros em 2000 ultrapassa hoje os 536 milhões de litros por ano, um salto de mais de vinte vezes em duas décadas e meia.
O que faz a produtividade local rivalizar com a Europa e os Estados Unidos?
A resposta está em tecnologia e escala. A cidade tem 73.075 habitantes pelo Censo 2022 e um rebanho de mais de 53 mil vacas ordenhadas, com produção média anual de 8,4 mil litros por animal, contra a média nacional de apenas 2,2 mil litros.
A maioria das salas de ordenha é totalmente informatizada. A cidade sedia o Agroleite, apontado pelo Governo do Paraná como a maior mostra de tecnologia da cadeia do leite da América Latina, com o cobiçado Troféu Agroleite. Em 2024, o governador assinou memorando com a Castrolanda para criar o Parque Tecnológico Agroleite, que integrará universidades, centros de pesquisa e startups.
O que visitar na cidade dos tropeiros e do moinho holandês?
Confira abaixo as principais atrações que combinam três heranças em poucos quilômetros:
- Moinho De Immigrant: réplica em tamanho real do moinho holandês Woldzigt, com 37 metros de altura e pás de 26 metros, inaugurado em 2001 no Centro Cultural Castrolanda.
- Cânion Guartelá: entre Castro e Tibagi, é um dos cânions mais longos do Brasil e o sexto maior do mundo em extensão, com 30 km de paredões esculpidos pelo Rio Iapó e desnível máximo de 450 metros.
- Casa da Cultura Emília Erichsen: casarão histórico do século XIX que preservou parte do centro antigo de Castro.
- Parque Lacustre: área verde no centro urbano com lago artificial, pista de caminhada e vista da Igreja Matriz.
- Memorial da Imigração Holandesa: dentro do complexo Castrolanda, conta a trajetória das famílias pioneiras a partir dos anos 1950.
- Morro do Cristo: ponto mais alto do perímetro urbano, com vista panorâmica de toda a cidade e arredores.
O que provar na mesa de Castro?
A gastronomia local mistura o passado tropeiro à tradição holandesa. Vale conhecer:
- Virado Tropeiro: prato à base de feijão, farinha de milho e carne de porco, herança direta dos viajantes que cruzavam a região no século XVIII.
- Queijos artesanais da Castrolanda: produzidos pelos cooperados, incluem o famoso queijo tipo gouda e versões maturadas vendidas na loja do Centro Cultural.
- Doce de leite Castrolanda: feito com o leite da bacia mais produtiva do país, é um dos produtos mais procurados por visitantes.
- Café colonial holandês: variações doces e salgadas servidas em ambientes que reproduzem o estilo rural dos Países Baixos.
Quem se fascina pela cultura holandesa, vai curtir esse vídeo do canal Fomos Viajar, com mais de 7 mil visualizações, que mostra o moinho e os sabores de Castrolanda, em Castro:
Como é o clima em Castro ao longo do ano?
A altitude de 1.000 metros dá ao município um clima subtropical com estações bem definidas. Veja abaixo as condições por período:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar até Castro?
A cidade fica a cerca de 150 km de Curitiba, aproximadamente duas horas de carro pela BR-376 até Ponta Grossa e depois pela PR-151. Ponta Grossa está a apenas 43 km. O Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, é o mais próximo, a 180 km do centro histórico.
A cidade onde o Brasil bebe seu leite
Castro reúne no mesmo mapa a rota dos tropeiros, a herança holandesa e uma cadeia leiteira que se compara com a de países desenvolvidos. Poucos lugares no Brasil conseguem transformar produção rural em identidade cultural com tanta clareza.
Você precisa subir até os Campos Gerais e conhecer Castro, a cidade onde tudo, do sotaque ao doce de leite, tem gosto de moinho holandês.
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