Grupo quer barrar saída de obras de Frida Kahlo do México
Coletivo de artistas contesta na Justiça acordo que colocou coleção sob gestão de banco espanhol
Um grupo de artistas mexicanos pressiona as do país autoridades para impedir que um conjunto de 160 obras de arte moderna, incluindo peças de Frida Kahlo e Diego Rivera, permaneça fora do México.
A mobilização se intensificou depois que a exposição que reunia parte desses trabalhos, no Museu de Arte Moderna da Cidade do México, encerrou no domingo, dia 19. O acervo em disputa é a Coleção Gelman, hoje administrada pela Fundação Banco Santander, da Espanha.
Ação judicial questiona acordo
O coletivo Defendamos la Colección Gelman move uma ação contra o acordo firmado entre o Instituto Nacional de Belas Artes e Literatura (INBAL), donos da coleção, e o Santander. Segundo o grupo, manter as obras no exterior por prazo indefinido não se justifica diante do que consideram valor estético e simbólico incalculável para o país.
O acervo reúne, além de Kahlo e Rivera, trabalhos de María Izquierdo, José Clemente Orozco e David Alfaro Siqueiros. Cerca de 30 das 160 peças têm status de monumento artístico, classificação que assegura proteção estatal permanente mesmo quando os itens pertencem a colecionadores privados, como é o caso da Coleção Gelman.
Conforme o coletivo, obras com esse reconhecimento só podem ser emprestadas a exposições temporárias no exterior mediante autorização do INBAL, e essa permissão deveria se restringir a casos com justificativa cultural comprovada.
Fotógrafa cobra mobilização de artistas
A fotógrafa Graciela Iturbide, cuja produção dialoga com a de Frida Kahlo, defendeu reação coletiva em entrevista ao jornal El Universal. Para ela, deixar as obras fora do país contradiz a própria visão da pintora sobre sua ligação com o México.
“Eu proporia aos artistas que se unissem para protestar, lutar pelo que é nosso e dizer: ‘Frida é nossa’. Frida é do México, precisa voltar ao nosso país. Podemos emprestar suas obras quando for necessário e nas condições adequadas, para que fiquem um tempo no exterior e sejam vistas. Mas ela é daqui”, declarou Iturbide ao veículo mexicano.
A fotógrafa acrescentou que a obra de Kahlo nasce de vínculo direto com tradições, costumes e elementos da cultura mexicana, e que esse laço deveria orientar qualquer decisão sobre o destino das peças.
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